24/11/2014

O que está destruindo a igreja batista? (Parte 1)

First Baptist Meetinghouse, Providence, RI.jpg
por Daniel Case - Obra do próprio. Licenciado sob 
Como a politicagem destrói as igrejas batistas por dentro através de pastores e membros carreiristas.


Houve tempo em que se pensava que o maior inimiga da igreja batista eram os pentecostais. Existiam até "paladinos da doutrina" cuja ocupação principal era combater pentecostais. Realmente, alguns pentecostais tinham mania de superioridade espiritual e queriam mudar a igreja dos outros, mas isso é passado. Entretanto, alguma coisa ficou desse passado e não é de origem pentecostal.

Esses "paladinos da doutrina" ganharam notoriedade, com isso, influência. As instituições eclesiásticas passaram a ser controladas por quem eles indicavam. Estas pessoas geralmente estavam em seu circulo de relações e de interesses. Até hoje é mais fácil e rápido consagrar um seminarista rico do que um seminarista pobre. Se não for rico, pelo menos deve ter o título de doutor. Isso também vem desse período.

Com essa prática, os "paladinhos da doutrina" inseriram na Convenção Batista a politicagem, pois se não era possível discordar dos paladinos, logo, as pessoas preferiam ficar quietas e "politicar" que era mais seguro. Nesse ambiente de ausência de diálogo e monologal as pessoas não desenvolviam as ideias apenas acatavam. Percebendo isso, alguns teólogos liberais e marxistas já preparavam seu bote.

Com o afastamento ou morte de indivíduos chave na Convenção Batista aqueles que estavam a espreita começaram a tomar lugar. E tomando este lugar, divulgavam suas ideias antibíblicas muitas vezes. O povo batista que não estava acostumado a dialogar sobre ideias ou doutrinas, começou inadvertidamente  a concordar com algumas ideias antibíblicas. Essas ideias pareciam piedosas e tolerantes para aqueles que nunca puderam dialogar de verdade.

Como resultado, a politicagem batista degenerou para seu pior tipo: a politicagem partidária. Antes a politicagem era fisiologista, ou seja, era focada num indivíduo, hoje a politicagem é partidária, ou seja, focada numa ideia de partidarismo político secular e denominacional. Especialmente com vínculo esquerdista marxista.

Os "paladinos da doutrina" foram substituídos pelos "paladinos do social". Ao contrário dos primeiros, os "paladinos do social" são totalmente contrários à sã doutrina. Estão mais interessados em carreira política dentro da igreja do que em defender valores morais, familiares ou doutrinários. Não é a toa que menosprezam a doutrina.

Um dos indicadores da infiltração política secular na denominação batista é a imitação da ONU. Não é raro que os temas do ano da Convenção ecoem os temas da ONU. Esta instituição internacional ao contrário do que alguns pensam não é a "guardiã da liberdade". Pelo contrário, todas as políticas públicas antifamília tem sua origem em resoluções da ONU. Como é possível que uma denominação cristã se submeta a esse tipo de doutrina?

Outra coisa interessante de se notar é que a CBB mantém-se calada quanto a desmandos políticos contra a família e a igreja. Limita-se apenas a fazer uma "nota de repúdio" quando as coisas vão mal e o povo requer uma ação, mas em geral ficam caladas. Nota de repúdio é o mesmo que nada. É necessário que a CBB se posicione e deixe de politicagem. Ficam 4 anos fazendo "vistas grossas" a uma política anticristã e perto das eleições majoritárias ou para a diretoria da Convenção, fazem um sermão inflamado, se elegem e depois tornam a se calar.

O que estamos observando é o carreirismo na denominação batista. Isso se estende também a várias convenções locais. Participei de um grupo que analisava um problema administrativo em uma associação. O problema era um erro crasso. A solução era reconhecer o erro, demonstrar arrependimento e desejo de corrigir e pedir ajuda às igrejas para solução do problema. Mas ninguém queria isso, queriam ter um "currículo denominacional ilibado" para suas carreiras eclesiásticas. Estavam mais interessados em passar o problema para outro do que em resolver o problema. Não preciso dizer que pedi demissão do cargo, pois os batistas gostam desses carreiristas e não adiantaria nada a palavra de apenas um sujeito na bagunça politiqueira.

Observe: o que está derrubando a denominação batista é a politicagem que mina nossas bases doutrinárias e morais. Precisamos acabar com isso. Não precisamos de ordens eclesiásticas quaisquer, não precisamos de associações. As igrejas locais é que deveriam fazer convênios entre si sem intermediação de "juntas" que estão mais para juntar tudo do que para articular a obra de Deus.

Ou os batistas acordam de sua letargia ou vamos ver o fim da igreja batista em breve. Ainda falarei mais sobre isso, mas por hora basta.