07/10/2014

Unanimidade batista é Bíblicamente correto?

Tem alguns lideres batistas defendendo uma coisa meio esquisita. Meio é até elogio, é antibíblica e anticristã com base no marxismo. Espero que estejam fazendo isso só de bobice teológica e não de caso pensado. O problema é a tal da “unanimidade batista”. Os líderes que defendem isso são bons políticos denominacionais, mas como teólogos ainda não dá para avaliar.
Alguns batem no peito que tem “trocentos” anos de pastorado e isso lhes dá autoridade para falar. Ora, essa é uma das mais antigas das falácias é o apelo à autoridade. Se tempo de pastorado desse direito a alguém para sugerir ideias constrárias à doutrina batista, então tais sujeitos seriam em sua mentalidade maiores que Jesus. Nosso Senhor Jesus Cristo teve apenas 3 anos de ministério terreno. A maioria dos apóstolos, pais apostólicos e pós apostólicos também teve muito menos tempo que os pastores de hoje. Se antiguidade no posto fosse sinonimo de ministério bem sucedido quase todos os grandes pregadores do primeiro século, incluindo o próprio Senhor Jesus Cristo seriam fracassados. Sabemos que isso é mentira, eles tiveram êxito exorbitante, portanto, tempo no “cargo” é inócuo na igreja.
Eliminado esse apelo a autoridade tão repetido abusivamente, vamos a definição do que seria essa unanimidade. A Bíblia fala em unanimidade da igreja. Essa unanimidade é no partir do pão, nas orações, nas súplicas, no contexto imediatamente espiritual da devoção direta. O problema é que desejam trazer essa “unanimidade” para as decisões administrativas. Chegam até a festejar quando ocorre uma decisão unanime como prova de boa decisão! Ora, desde quando uma decisão unânime é prova de boa decisão? E desde quando as decisões da igreja são unânimes?
Primeiramente,vejamos a igreja de Jerusalém em Atos dos Apóstolos. Eles perseveravam unânimes na comunhão e no partir do pão como já mencionei, mas não eram unanimes em suas decisões. Um exemplo claro é a separação de Paulo e Silas.  Em Gálatas 2.14, Paulo resiste a uma hipocrisia de Pedro quanto à circuncisão e coloca clara sua opinião. Em outros momentos, Paulo, o mais democrata dos apóstolos arrisco eu, discorda de Apolo, de Alexandre o latoeiro, de várias atitudes condenáveis dos irmãos em 1 Coríntios e por aí vai. Até João que era o apóstolo do amor discorda de Diótrefes que desejava dominar sobre a igreja a qual ele escrevia sua terceira epístola.
Então, porque os batistas tem que ser unânimes? Isso é distorção da base bíblica! Devemos ser unanimes na doutrina e não nas decisões administrativas! Por unanimidade o povo de Israel escolheu ao rei Saul, sob a permissão de Deus sim,  mas Davi é que foi escolhido por Deus. Não havia unanimidade para Davi, tanto que muitos eram partidários de Saul mesmo respeitando Davi.
Então de onde vem esse discurso de unanimidade? Do esquerdismo politicamente correto. Isso está ocorrendo em nossas associações. Alguns grupos não são mais grupos de discussão e resolução de problemas, se tornaram grupos de negociação. Às vezes a negociação só empurra o problema da mão de uns para outros e não resolve nada. Ninguém quer responsabilidade pois desejam unanimidade em ‘sua’ administração.
Via de regra as decisões unânimes são decisões por constrangimento. Pega mal votar diferente dos outros, então votam como todo mundo para não ficar deslocado do grupo. É o mesmo principio da ideologia do politicamente correto onde não se pode dizer isso ou aquilo para não ferir vaidades. Como podemos ter uma convenção sadia se precisamos, por princípio insinuado, ser unânimes? Isso é um absurdo perante a doutrina batista.
Para os batistas existem tres doutrinas, ou principios, que afetam os dominadores. A primeira delas é a igreja como instituição local e autonoma, a segunda é o governo democrático da igreja, e a terceira é a não aceitação do ecumenismo. Por engraçado que pareça, estas são as doutrinas que mais desejam modificar de nossa Declaração Doutrinária. Já surgiram vozes para isso em nossa convenção. Mas com que intenção?
Observando o contexto evangélico, percebe-se um avanço da ideologia marxista nas igrejas tradicionais. Quem propaga o marxismo são os teólogos da Teologia da Missão Integral. Esses teólogos são políticos que defendem ditadores como Fidel Castro e Maduro e também se opõem à Israel. Para esses teólogos um assassino como Che Guevara deveria ser beatificado! Pasmem!
Esse tipo de teólogos tem entrado nas igrejas tradicionais acusando os erros dos pastores tradicionais, mas fazendo pior. Todo mundo erra, arrepender-se é o maior mérito de um cristão, mas usar a metodologia esquerdista de “denunciar o inimigo” para ter vantagem não tem nada de cristão.
Esse grupo já se infiltrou na maioria das igrejas tradicionais e as destruiu por dentro. Algumas denominações como a luterana e a presbiteriana nos EUA viraram apóstatas aceitando todo tipo de permissividade em nome da “inclusão” dos oprimidos.
O problema para esses teólogos é que entre os batistas isso é mais difícil, exatamente pelos principios que citei acima. Como somos democráticos e não monárquicos eles não conseguem aliciar um lider para controlar toda a denominação, como somos igrejas autonomas eles não conseguem a unidade institucional de coerção que anseiam, como não aceitamos o ecumenismo não fazemos vínculos com seus aliados anti-Israel e anti-família.
Não se engane. Alguns desses fazem encontros de casais e outros eventos familiares, criam gestões “mais abertas” e sem “formalidades”, além de serem “muito abertos ao diálogo”, mas é tudo ilusão. De que adianta fazer encontro de casais ou eventos familiares e apoiar uma ideologia anti família? De que adianta criar discussões informais se é pela formalidade que se mantém a unidade do discurso para entendimento e decisão? De que adianta ser aberto ao diálogo se desejam apenas que todos sejam administrativamente “unanimes”? Isso não adianta nada para a igreja de Cristo, mas adianta para os anticristos que desejam se infiltrar entre os batistas.
Igrejas tradicionais estão caindo à essa ideologia como dominós em fileira. Estes três princípios nos mantém de pé porque são quase que únicos entre os evangélicos. Se permitirmos que façam politica com nossas doutrinas, podemos dizer adeus à fidelidade batista às Escrituras. Os que continuarem firmes terão qualquer outro nome, pois os invasores tomarão o nome de batistas para si.
Lembro do tempo em que combatiamos os “pescadores de aquário”, termo usado para pentecostais que se infiltravam em igrejas tradicionais para proselitismo de crentes. Nossa denominação foi firme contra eles, e disso surgiu nossa declaração doutrinária. Observe que não falo mal dos pentecostais em si, mas sim daqueles destruidores de congregações. A grande maioria dos pentecostais são honestos. Quero chamar a atenção para a importância de coesão de nossa declaração doutrinária e para o perigo de abandoná-la pelas conversinhas de certos pastores.
Estamos passando por mais um período de perseguição à igreja, que no caso brasileiro é discreto e internalizado, porém, dissolvente. Querem dissolver a unidade, mesmo que divergente, da igreja batista para inserir a unanimidade de um pequeno grupo de interesses. Querem ser a elite religiosa.
Cabe a cada crente ser firme no seu direito de não decidir em unanimidade se assim entender. Cabe aos verdadeiros pastores respeitar as divergências e não constranger a membresia à unanimidade. Cabe a todos os batistas não permitirem que destruam nossa denominação. Porque se abrirmos a guarda agora e nos calarmos, rapidinho eles nos dominam e já estão fazendo isso, então, quando percebermos será tarde demais.