07/10/2014

Por que crente é esquisito?

Quarta feira de cinzas, a seleção brasileira goleia a África do Sul, uma voz monótona repete para todos os lados as notas das escolas de samba. Eu estou de plantão, ninguém sai de casa para nada. O plantão está tranquilo, portanto, tenho tempo para ler um livro que me interessa. Alguns colegas vêm falar comigo do jogo e do samba e logo se espantam porque não estou ocupado com nada disso.

Eu sou um brasileiro anormal. Brasileiros gostam de comentar estas coisas. É uma formatação de discurso que vai durar umas duas semanas de discussão. As pessoas assistem as mesmas coisas para que possam interagir com as outras jogando conversa fora.

Uma coisa me chama atenção nessa realidade. Ninguém tem nada de novo para contar pra ninguém, apenas opiniões e paixões para ecoar. Encontrei uma justificativa existencial nessa história. Sobre a minha existência. Nem sempre as pessoas entendem diretamente o que digo, não porque sejam burras, mas porque estão totalmente imersas num mundo comunitário e estéril de ideias.

Falar de novela não precisa explicação, mas falar de outras coisas dá trabalho para explicar. Não é a toa que o Olavo de Carvalho diz que brasileiro não dialoga, apenas bate papo. Para dialogar é necessário, segundo o professor, querer encontrar alguma verdade. Por isso a ideia de que não existe verdade absoluta é tão corrente em nosso meio, verdade tem que explicar, dá trabalho, é melhor “bater papo” sobre coisas relativas que, ainda por cima, pensam que é alguma verdade.

Aliado a isso vemos a situação política caótica de nosso país, que não pode ser ignorada como produtora marxista de alienação, mas, o que me preocupa mais ainda é a alienação teológica da igreja de Cristo. Não me estenderei sobre a teologia da missão integral que é uma praga no meio evangélico, mas apenas tratarei de sua ação na desagregação da ação missionária no Brasil.

A teologia da missão integral é uma teologia da libertação evangélica, pura heresia marxista. Essa teologia herética, passando por círculos universitários infiltrou-se nas agências missionárias corroendo-as por dentro. Mas será que fez isso mesmo? E por que as agências missionárias?

As agências missionárias são o alvo ideal da ideologia marxista, pois missão é expansão da igreja de Cristo por todo o mundo. Duas coisas os marxistas desejam, uma é acabar com a igreja de Cristo em seus valores familiares, outra, é sua ânsia por uma internacionalização do socialismo. Uma coisa depende da outra dentro de sua política, pois uma família unida não permitirá a uniformização da mentalidade do povo.

Cada vez que vejo um missionário pregando fico mais abismado com certos absurdos teológicos que são ventilados. Missionários, agora, são ótimos animadores de auditório, mas péssimos teólogos. Pelo menos os que a junta de missões têm mandado por aí a pregar nas igrejas em época de campanha missionária. Antigamente quando um missionário pregava você ficava emocionado com o poder de sua mensagem, pois era mensagem de Deus. Hoje, os missionários pregam o politicamente correto, o evangelho social da missão integral, que não dizem nada mas esvaziam as igrejas do sentido original de missões.

Neste sentido a teologia da missão integral cumpre o mesmo papel de entretenimento do carnaval e do futebol, entretanto, o Evangelho não pode “jogar conversa fora”. Se a mensagem de alguns missionários, fomados em outras coisas, menos em teologia, é assim em nosso meio urbano, como será no campo missionário? Já vi pregadores dessa linha que citavam Paulo Freire com precisão, mas ao se referir a um texto bíblico do Antigo Testamento diziam “se não me engano, foi Jesus quem disse”. Precisamos rever esse conceito de missão voltado para as massas e não para a conversão do indivíduo.

Trazendo novamente para minha análise existencial de crente esquisito, por valores familiares e religiosos escolhi ler um livro sozinho em meu setor ao invés de seguir a massa assistindo ao jogo da seleção ou a apuração do carnaval. Isso é extremamente antissocialista. Pode ser um pequeno detalhe, mas mostra o poder da diferença que religião e família podem fazer.

O Salmo 1 diz o seguinte em seu início: “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores” (Salmos 1:1), talvez se possa discutir o mérito do futebol como esporte, mas não se pode negar que como mero entretenimento é mais discutido do que a Palavra de Deus ou mesmo conhecimentos úteis entre a grande massa de pessoas. A fé em Deus nos afasta de algumas coisas, para melhor, e tais coisas não fazem falta.

Quem será que não tem assunto? O sujeito que só sabe discutir assuntos muito restritos e sem importância ou quem, mesmo não sendo grande coisa, busca as coisas de Deus? Quem irá pregar aos povos se os missionários não se preparam mais com a Palavra de Deus? Não sei, talvez eu, talvez você, senão até as pedras pregarão. Com certeza quem busca as coisas de Deus será bem aventurado para sempre, pois futebol, novela, carnaval, passam e passam feio, mas a Palavra de Deus permanece para sempre.

Continuemos sendo esquisitos para mundo, mas crentes em Cristo Jesus com prazer em Sua Palavra.