07/10/2014

O que é louvor? Louvor é música?

Um cantor de heavy metal “gospel” assassinou sua família. Ele admitiu tocar música gospel para ter lugar no mercado fonográfico. Admitiu ainda que nunca foi convertido e que é ateu. Alguns ficaram espantados que um ministro de “louvor” fizesse isso. Eu não.
Existe uma imensa confusão sobre o que é louvor e o que é música. Ao contrário do que a imaginação popular pensa, artistas são técnicos habilidosos. Não são pessoas dotadas de dons extraordinários. Essa visão mística da arte é que gera a idolatria.
Essa idéia romântica de arte é coisa recente. Grandes músicos como Bach, por exemplo, faziam suas músicas sobre encomenda com orientações específicas dos clientes e mesmo assim fizeram excelentes trabalhos. A idéia de inspiração surgiu depois dando um caráter místicista a uma técnica. Cada um tem seu talento. Ser artista, por mais que doa a alguns é um talento tão importante quanto vender mariola. Mas o mercado fonográfico, inclusive evangélico, se beneficia disso.
Chamam músicas que repetem padrões puramente técnicos de música com “unção”. Na verdade, analisando bem, observa-se um padrão nas músicas de sucesso. Esse padrão é geralmente detectado pela gravadora que aceita músicas somente no padrão que vende. Já é comprovado que o homem recebe melhor padrões assimilados anteriormente. Existe até programa de computador para testar a possibilidade de sucesso de uma música conforme seu padrão chiclete. É isso mesmo. A “unção” muitas vezes é pura técnica.
Quanto ao louvor, não é música. É um estilo de vida. Viver conforme a vontade de Deus enaltecendo sua santidade com nossos atos é louvor. Louvor é falar bem de Deus e está intimamente ligado a santidade. Louvamos lavando roupa, varrendo uma calçada, roçando um matagal, cozinhando, carregando peso, limpando a igreja ou nossa casa, estudando com fidelidade a Deus e não a ideologias. Enfim, se louvamos de fato fazemos o tempo todo e não só cantando ou escutando música.
Por isso não me espantou o caso do metaleiro. Muitos não estão louvando, estão curtindo música. Eles até pensam que louvam, mas pensar qualquer um pensa, é necessário entendimento.
Não podemos cair na idolatria de mercado. Jesus nos disse que quem adora o faz em espírito e em verdade e não “em arte” como querem as gravadoras. Quando colocamos a técnica, a habilidade e inteligência humana acima do Espírito de Deus não estamos louvando, estamos em idolatria a alguém.
Evangélicos não devem ser idólatras. Mas caso os fanáticos de plantão venham com a idéia de que sou contra o louvor cantado, vou logo avisando que não se trata disso. Devemos valorizar o louvor cantado, mas este não é uma forma superior de louvor. Se o louvor é um estilo de vida, em espírito e em verdade, reduzir sua vida a uma banda ou cantor favorito é oferecer um louvor muito pequeno.
Devemos valorizar a técnica musical no louvor, mas não podemos deixar a mera técnica extinguir o Espírito. É o que acontece quando temos uma idéia errada de louvor. Quantos artistas temos em nosso meio? Quantos são verdadeiros adoradores? A qual deles estamos estimulando a continuar? Existem muitos que louvam com suas canções e não são ouvidos. Existem outros que agradam o mercado, mas agradam a Deus?
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