12/10/2014

Filosofia é coisa de crente?


Filosofia é uma matéria problemática no Brasil. Principalmente no que concerne ao seu diálogo com a religião. Nossos Intelectuais têm uma mania de ser contra a religião, especialmente o cristianismo. Devem achar "chique", mas isso é inútil e não interessa

O preconceito acadêmico chega ao ponto de uma certa "filósofa" dizer que "odeia a classe média" sendo aplaudida por um ex-presidente da república. Isso porque ambos adotam uma linha filosófica marxista. A linha filosófica do anticristo. Mas a filosofia não é feita só de anticristos.

Na época de seminário questionávamos porque estudavamos pouca filosofia. Hoje eu entendo. Os clássicos são de grande utilidade e ajudam a compreender o que vem depois. Do que vem depois muito é heresia, nem tudo. Então focamos nos socráticos e demos um voo razante pela filosofia para nos dedicar às Escrituras que é o verdadeiro objetivo de todo seminário que preste.

Durante algum tempo andei paquerando a filosofia e pensei em estuda-la mais a fundo. Mas, seguindo o conselho de um amigo, é melhor ficar só com os clássicos que já está muito bem. Incursões pontuais podem ser feitas a outros pensadores esporadicamente. Dentre os clássicos encomtra-se Aristóteles.

Aristóteles merece especial atenção pois demonstrou que o pensamento humano busca padrões. A neurociência moderna comprova isso. Mas Aristóteles estabeleceu uma forma de classificação do pensamento que influenciou toda a posteridade. Esse "formato" aristotélico é especialmente útil como ferramenta de categorização para estudar qualquer coisa.

Se formos fazer o resumo de uma matéria usando a teoria das 4 causas podemos resumir e sistematizar qualquer disciplina. É muito interessante.

Um filósofo brasileiro católico, Olavo de Carvalho, tem mostrado a importância do sistema de Aristóteles no processo de pensamento e aprendizagem. Sob uma dica de Carvalho, vamos analisar o livro "Aristóteles sobre nova perspectiva" de Mortmer Adler. Este livro, embora tenha sido escrito sem pretenções muito eruditas, pode ser a melhor solução para conhecer algo de filosofia sem se embaraçar demais com outro campo do conhecimento além da teologia.

Adler inicia falando do sistema de Aristóteles de forma geral. No segundo capítulo ele começa a descrever com mais detalhes. Basicamente, pude apreender do capítulo que Aristóteles dividia os seres em seres animados e inanimados. Ser é tudo aquilo que é, ou melhor, tudo aquilo que existe. Se usarmos uma liguagem mais geral seres são coisas.

Dentre os seres existem classificações que vão aprofundando conforme conhecemos as coisas. Na antiguidade se conhecia até onde o olho poderia ver, depois veio a luneta e pudemos ampliar a capacidade empirica de conhecer, depois o microscópio e assim por diante. Não saber até que nível isso vai não implica na impossibilidade de conhecer, mas que conhecemos como seres limitados, sempre.

Dentre as coisas, no capítulo 2, Adler trata da essência e do acidente. Essencia é o que você não pode mudar em um ser sem destrui-lo. Uma pedra será sempre uma pedra, não importa quão menor ela seja. Se moermos demais uma pedra ela deixa de ser pedra e se torna um pó. Mas enquanto é pedra ela pode ter diversas caracteristicas. Essas caracteristicas são os atributos.

Peso,altura, largura, são alguns tipos de atributos. Os atributos variam. Observe que a pedra maior e a menor são igualmente pedra. A essência permanece mas o atributo varia. Atributos podem até receber outros atributos. Por exemplo "pedra pesada" pode receber uma intensidade "pedra muito pesada".
Nessa classificação Aristóteles classifica o homem como ser filosófico, isto é, que pensa, medita. Se o homem pensa e mais nada é um ser filosófico, existem mais dois grandes domínios. O domínio das coisas em geral e o domínio das pessoas. O homem é pessoal e Deus é pessoal, portanto, as pessoas ultrapassam o mundo material.

Mas Adler falará de pessoas no próximo capítulo que, depois de lido, conto para você o que tem de interessante. Aproveite e leia o livro.