04/07/2013

As Genealogias de Jesus


Pintura em Tela: O Sermão do Monte
Carl Heinrich Bloch (1834–1890)
O estudo da vida dos parentes de Jesus é bem interessante. São histórias de amor, arrependimento e perdão. Os parentes de Jesus são listados nas genealogias. Genealogias são listas em ordem cronológica dos ancestrais de uma pessoa.

Existem duas genealogias de Jesus na Bíblia Sagrada. Uma de Abraão até Jesus passando por Davi e José e, outra, em sentido inverso, de José até Deus. Numa primeira leitura parece haver uma discrepância entre as genealogias, pois os descendentes mais recentes são bem diferentes nas duas genealogias. Existe explicação plausível para isso?

A melhor explicação, senão a única correta, diz que a genealogia de Mateus 1.1-17 trata da ascendência direta de José. A segunda genealogia, que está em Lucas 3.23-36 trata da genealogia a partir de Maria.

Observe que de Davi para trás as duas genealogias são quase iguais. A genealogia que está em Mateus vai de Abraão até Davi de acordo com a genealogia que está em Lucas. Lucas acrescenta ainda uma origem até Adão e Deus.

Esta diferença entre os dois evangelistas se explica: Mateus escrevia sobre Jesus para judeus, Lucas escrevia para gentios também. Como Mateus escrevia para judeus mostrou a origem paterna, mais forte para a cultura judaica. Lucas, que escrevia para gentios, mostrou a genealogia de Jesus a partir de Maria.

Alguém poderia perguntar: “como José pode ser, ao mesmo tempo, filho de Jacó e filho de Eli?”. A resposta é simples. Precisamos ler o texto conforme a cultura da época. Mateus diz dos antepassados o termo “gerou” que significa gerar para nascimento. Lucas nos diz que Jesus era “filho de” e dá uma lista de nomes de pais de família.

Ser chamado de “filho de” significa pertencer a uma casa por parentesco mais geral. Essa ideia de parentesco geral reforça que seria um parentesco a partir de Maria, pois os filhos recebiam os nomes dos pais. Não seria estranho se houvesse uma genealogia de João Batista, por exemplo, que João fosse considerado filho de Eli por ser primo de Jesus através de Maria. Isto mostra um salto de valorização da mulher no cristianismo nascente sem paralelo na antiguidade ou modernidade.

Admitindo que a causa da paternidade no relato de Mateus seja bem clara devido ao termo “gerou”, ainda nos resta verificar porque Jesus era “filho de José, filho de Eli, filho de Matate...” etc. Nas traduções em português a palavra “filho” é repetida em todos os nomes da lista. Isso dá a ideia de que um era filho do posterior consequentemente, mas é uma ideia provocada por um problema de tradução.

Este problema de tradução não é um erro, mas uma ilusão decorrente das diferenças entre a redação do grego e do português. Observe que se traduzirmos que “Jesus era filho de José, de Eli, de Matate, de Levi” etc. complicamos a situação pois nosso idioma não admite muito essa construção. Logo perguntaríamos: “Jesus era filho de qual deles?”, entretanto, no texto grego está escrito exatamente assim “Jesus era filho de José, de Eli, de Matate...”, porque o termo “filho” significava um parentesco mais genérico.

Talvez agora fique mais claro. Quem era filho, em sentido genérico, de José, Eli, Matate dentre outros era o próprio Senhor Jesus. José até seria um “filho genérico” de Eli por ser casado com Maria, mas o pai genético de José se chamava Jacó, conforme Mateus 1.

Espero que tenha ficado clara a aparente incoerência. Observe também, que após Davi, a família se divide em dois troncos citados. Um tronco que vai até José iniciado pelo rei Salomão, e outro tronco que vai até Maria iniciado por Natã, ambos filhos de Davi.

Observe que do tronco de José segue a descendência real israelita. Para ser considerado rei, Jesus deveria vir da família real e a coral, via de regra, era passada para homens primogênitos. Portanto, Jesus unia o povo e a nobreza em sua própria origem mostrando que não existe “luta de classes” nos planos de Deus para a história humana.

Espero que tenha esclarecido uma possível dúvida. Se você ficou com alguma dúvida ainda não tenha receio de perguntar nos comentários. Responderei assim que possível.

Contextualizando com os dias atuais, faço um apelo: não se deixe enganar pelos anticristos que pregam a “luta de classes”, pois isso só gera divisão, mundanismo e perversão. Lembre que Jesus uniu em si a plebe e a nobreza, além disso ele nos torna sacerdotes, Dele mesmo, que é o Sumo Sacerdote. Não vamos ser nós que vamos querer combater outras classes sociais, ou até igrejas, em antagonismo dialético marxista, nem mesmo com desculpa de apologética de blog, pois isso não agrada a Deus.

Antes de fazer apologética ou exercer críticismo marxista faça o que procuro fazer neste blog, que penso ser uma boa ideia: autocrítica denominacional. É um principio batista. Não que eu também não tenha dado minhas opiniões apologéticas, podem até ocorrer, mas não devem ser o fundamental. Unamo-nos como corpo de Cristo e cidadãos do céu aqui na terra.