13/05/2013

Pregar é difícil?

Muitos dizem que pregar é difícil. Dizem até que é dificílimo! Mas isso não é verdade. É apenas artifício de valorização do passe ou mera ingenuidade espiritual. Uma das definições para difícil diz que o difícil é aquilo que "que demanda esforço intelectual para ser compreendido ou entendido; intricado, complicado, obscuro", logo se vê que o conceito de dificuldade não leva em conta o espiritual mas o intelectual. Como uma pregação espiritual pode ser difícil se o Espírito não está restrito ao intelecto?


A pregação espiritual não é difícil, mas a intelectual é. A pregação intelectual requer um esforço mental gigantesco, por isso é difícil, mas a pregação espiritual é dirigida pelo Espírito de Deus e não pode ser considerada difícil nem fácil, pois se não é de nossa competência a inspiração como podemos saber se é difícil? Não podemos, mas dizemos, ou melhor, alguns dizem.

Nessa valorização do ato de estar a frente e falar o sujeito super valoriza a si mesmo, como pregador, pois coisas difíceis são coisas de competências e habilidades humanas. Competências e habilidades são quase sinônimos a diferença é que a competência é de carater geral e a habilidade de caráter específico. Essa ideia de valorizar o pregador pela dificuldade atribuida à pregação é o que mais provoca mandâncias e autoritarismos na igreja. Além, é claro, de desgastar aqueles que são bem intencionados mas acreditam neste erro por mera osmose cultural.

A pregação é uma responsabilidade e como tal não é difícil nem fácil, é necessária. Fazer o necessário não torna ninguém melhor ou pior, apenas é alguém que faz, afinal, todos fazemos coisas necessárias. Deus é quem faz o impossível, se Ele faz o impossível por que valorizamos "nosso passe" dizendo que a ação do Espírito é difícil? Ou seria para nós que a pregação é meramente intelectual? Se for meramente intelectual, segue-se que os pregadores são seres superdotados e, os outros, meros mortais. Se a pregação for principalmente espiritual ela não pode ser difícil se nos acompanha O Deus do impossível.

Nessa cultura futebolistica e televisiva de nossa sociedade onde os craques e os famosos são valorizados e exaltados, nada mais conveniente do que dizer que nossas responsabilidades são maiores, e mais difíceis, que as dos outros. Não é assim. Isso é um marketing piedoso de alguns e engano de outros.

Com essa história de difícil, elitizamos a pregação. A pregação não pode ser elitista. Não pode ser patrimônio particular, pois é missão de todos. Mas, por incrível que pareça, é exatamente aos complicantes que valorizamos como mais espirituais, quando na verdade não estão valorizando o Espírito, mas a carne.