16/02/2013

Uma multidão de pecados

Irmãos, se algum dentre vós se tem desviado da verdade, e alguém o converter, Saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador, salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados. Tiago 5:19-20

O apóstolo Tiago trata em boa parte de sua carta da realização de boas obras pelos que têm fé. Não se trata de justificação pelas obras, mas de que aquele que tem fé em nosso Senhor Jesus Cristo deseja fazer o que é bom. Para Tiago é óbvio, se uma pessoa se diz crente em Jesus e rejeita as boas obras é porque ainda não se converteu de fato. As obras não justificam, nem podem salvar ninguém, mas são uma forma de exercer os frutos do Espírito.

Lutero não entendeu bem isso, visto que estava bem impressionado com a Salvação pela Graça. O reformador chegou a considerar a Epístola de Tiago como "palha", mas Lutero não era perfeito, nem mesmo tinha autoridade maior que as Escrituras, por isso ainda temos a Epístola de Tiago na Bíblia para ser bem entendida. Entender bem a Epístola de Tiago é saber que as obras não salvam, mas que o verdadeiro salvo deseja fazer coisas dignas do amor de Deus.

Depois de defender as obras em praticamente toda a epístola, Tiago termina falando dos desviados do Evangelho. Ele diz que devemos insistir para que eles se convertam de fato. Não importa o pecado que tenham feito, caso se arrependam encontrarão a Salvação e seus pecados serão perdoados. Infelizmente nem sempre agimos assim.

É comum quando um crente se desvia que condenemos este irmão. As vezes o desviado quer até manter comunhão com a igreja, mas os olhares reprovadores são algo insuportável. Para fugir desses olhares o desviado acaba indo de vez para o mundo. Não é isso que Deus nos ensinou.

Se um irmão desviado deseja estar conosco não devemos reprova-lo constantemente, pois se ele é cristão sua própria consciência indicará isso. Devemos trata-lo com amor e respeito, motivando-o, no sentido de dar motivos bons, para que restaure a comunhão com a igreja. Se dirigimos a ele olhares reprovadores estamos motivando-o, isto é dando motivos, para que ele busque aceitação no mundo sem Deus.

Não é raro que crentes desviados pensem que a igreja é menos perdoadora que o mundo. Obviamente este é um erro emocional, mas a impressão que damos ao desviado é exatamente esta. Queremos exortar as pessoas até onde vai nossa paciência, com isso, ao se esgotar a paciência agimos com desamor.

Devemos amar os desviados. Não digo que eles devam continuar em suas funções na igreja, pois tudo que fazemos na igreja é para evangelizar e, para evangelizar, precisamos ser coerentes com a mensagem. Amar aos desviados significa dizer que ele é bem vindo em nosso meio para reforçar sua fé e voltar ao primeiro amor. Amar ao desviado não é compactuar com o erro, mas ajuda-lo de toda forma a recuperar-se de seu erro.

Tem muita gente trabalhando para recuperar viciados, e isso é bom, mas ao mesmo tempo abandonamos os desviados. Isso é incoerente. Devemos amar tanto a um como a outro. Devemos ter paciência e exercer o ensino tanto a um quanto a outro. Tudo isso sem compactuar com o pecado mas agindo em amor.

Lembro de casos em que pastores radicais foram inflexiveis com o pecado de alguns membros. Esse radicalismo, defendiam, era em prol da igreja. Mas os desviados também são membros da igreja, adoecidos espiritualmente, que precisam de cuidado e não de amputação. Lembro também que estes mesmos pastores, quando pecaram, ou alguém de sua família pecou, foram bem mais tolerantes. Isso demonstra que o radicalismo é apenas falta de amor.

Não devemos apoiar o pecado, mas  devemos apoiar aquele que está caído para que se levante e volte a comunhão com a igreja de Cristo. Essa é a boa obra que Deus espera de nós, que vai além das aparências e que restaura vidas cobrindo até "uma multidão de pecados".