17/02/2013

A oração do justo e a confissão

Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos. Tiago 5:16

Como cristão evangélico acredito que sacerdotes não podem mediar nossa relação com Deus. Jesus Cristo é nosso sacerdote conforme nos ensina o livro de Hebreus. Nós chegamos ao ponto de afirmar que não devemos confessar nossos pecados a ninguém a não ser Deus. Ao ler o texto de Tiago 5.16 percebi que pode ser que sim, pode ser que não.

O termo usado por Tiago (αλληλοις) implica em mutualidade. Não significa que devemos fazer cultos para que um confesse seus pecados aos outros, mas que devemos confessar nossos pecados mútuos e orar pedindo perdão ao ofendido e a Deus. Esclarecendo, se um irmão peca contra o outro, reconheça confessando verbalmente ao ofendido e ore com ele para que o Senhor abençoe a ambos. 

O termo mutuo significa o que está inserido no contexto referente a um grupo. Aqueles que, em grupo, sofreram por um pecado, sendo crentes, devem reconhecer e orar juntos. Mas se um crente não está envolvido no problema e deseja saber do que se trata, afaste-o, é fofoqueiro.

A maior parte dos problemas que ocorrem nas igrejas é devido a falta dessa prática. Ninguém quer admitir que pecou, mas pensa que o outro tem obrigação de perdoa-lo. Como cristãos devemos perdoar, mas não basta pedir perdão mecanicamente, é necessário confessar nosso pecado para pedir perdão.

Alguns irmãos ofendem aos outros e dizem "Eu acho que não ofendi o irmão, mas se ofendi me perdoe...". É o cumulo da hipocrisia! Se não ofendeu não tem porque pedir perdão, pois o perdão implica uma ofensa. Peça restauração, amor, compreensão etc, mas não perdão. 

Perdão requer confissão e arrependimento, se você não tem do que se arrepender ou confessar, ou talvez não reconheça, não peça perdão protocolado. O perdão protocolado é aquele que pedimos para nos justificar dizendo "eu já pedi perdão a ele, se ele não me perdoou é problema dele com Deus...". Essa prática hipócrita é muito comum em nosso meio, porque as pessoas têm medo de reconhecer seus pecados ao outro.

Quando não reconhecemos nossos pecados, confessamos inclusive se ofendeu ao próximo, guardamos o mal em nosso coração, mesmo convencidos de que não fizemos "nada de mais". É isso que Tiago nos ensina. Quando ele diz que a oração do justo pode muito em seus efeitos, Tiago conecta essa ideia à confissão e oração pelos pecados praticados entre irmãos. Buscamos a justiça quando confessamos e nos arrependemos e a justiça se concretiza quando oramos juntos em perdão.

Portanto concluímos que não precisamos confessar nossos pecados a um sacerdote ou a qualquer irmão por mero procedimento religioso, mas se ofendemos a um irmão em particular, devemos nos dirigir a ele e agir conforme a vontade de Deus.

Isso não é fácil. O Evangelho não é fácil. Tudo que é simples e verdadeiro é muito mais difícil que a falsidade. Mas se pedirmos a Deus sabedoria, ele nos guiará no caminho certo e verdadeiro.