16/01/2013

Novos teólogos e velhos teólogos

Por +Marco Teles

Hoje li o seguinte texto em um blog de teologia:
"Em um seminário em que trabalhei (de outra denominação), os colegas diziam que a Igreja, em breve teria problemas, pois o crescimento da Igreja não era proporcional ao número de jovens que todos os anos saíam dos Seminários como bacharéis em teologia, aptos para o exercício do ministério.
A preocupação dos colegas era: onde colocar todos esses novos pastores?Na minha ingenuidade, sugeri que seria uma grande oportunidade missionária: enviá-los para iniciarem novas comunidades em zonas rurais e na periferia das cidades. Foi então que um colega, bastante sábio, retrucou: "Eles não querem. Recusam-se! Querem as Igrejas grandes, já formadas e estabelecidas, sem problemas financeiros"."
Disponível em http://pbangelo.blogspot.com.br/2011/10/o-desabafo-de-um-professor-de-teologia.html acesso em 16/01/2013

O autor do texto tinha boas intenções. A maior parte do texto é até boa, mas esse trecho peca pela generalização. Ao citar o "sábio teólogo" o irmão cita apenas um preconceito contra os novos bacharéis em teologia.

Os "sábios teólogos", muitas vezes se ressentem com os novos bacharéis. Eles pensam que só a eles pertence o chamado próximo ao lar. Não é raro que um seminarista com conteúdo teológico seja "enrolado" por ser visto como concorrente de um grupo corporativista.

Podemos perceber da citação e da afirmação decorrente que a igreja evangélica brasileira passa por um sério problema: falta de cooperação. A competição é tremenda. Tanto entre novos teólogos quanto entre os velhos.

Não somente os novos devem ir para missões. De onde tiraram isso? Provavelmente de uma posição corporativista. Os "mais velhos" também devem ir para missões. Qual a coerência da comparação?
Um teólogo novo pode ter também problemas familiares que o prendam a uma região. Assim como os teólogos velhos. Mas o que temos? Um corporativismo que prefere gastar dinheiro construindo templos suntuosos a novas congregações. E quando constroem novas congregações, preferem até construí-las em outros estados, para que "os concorrentes" não fiquem por perto.

Realmente temos novos teólogos de interesse como diz a matéria em questão. Mas não podemos esconder que temos velhos teólogos igualmente interesseiros. Igualmente manipuladores, igualmente dominadores, igualmente sedentários.

Pior! Temos teólogos velhos contaminados pela politicagem dos grupos de poder denominacionais. Tais teólogos ainda atraem para si aqueles que os podem servir, pois buscam ser servidos em seu ministério e não servir a Deus.

Ministério não é cargo. Se alguém quer cargo faça concurso público. Ministério é serviço. Serviço bem feito, é serviço compartilhado. Mas ninguém compartilha. Querem mandar pra longe, como se essa fosse a única possibilidade. Isso na verdade é corporativismo egoísta.

Qualquer bacharel em teologia deve ter a opção de ir para longe ou não. O que não pode ocorrer e sermos empurrados por uma política de corporação. Quantos pastores, pelos menos na televisão e no rádio, já colocam seus filhos como seus substitutos? Todos são interesseiros para eles, portanto, só sobra beneficiar a própria família.

Existem igrejas que se tornaram patrimônios familiares e não o corpo de Cristo. Já vimos essa história com a igreja católica num período em que homens influentes consagravam seus rebentos a altos cargos no clero. Isso não foi bom para católicos. Poderá ser bom para evangélicos? Muitos até criticam o catolicismo, mas caem nos mesmos erros. Alguns desses, que repetem erros históricos, são até professores de história do cristianismo! Pasmem!

Não podemos negar que estamos em uma situação de crise provocada pela vaidade. Vaidade daqueles que se julgam ungidos demais e vaidade daqueles que se julgam donos de um cargo.

A igreja deve viver em revezamento. Um líder não pode ficar ad eternum em um cargo, mas deve trocar com outros, aprendendo novas coisas e descobrindo que não é dono de nada. Deus é o dono da igreja, mas muitos querem ser donos. Alguns novos, outros velhos.

Enquanto estivermos nos ocupando de interesses patrimonialistas prejudicaremos a igreja. Não posso mudar de onde vivo para milhares de quilômetros de distância como oferecem os "velhos teólogos". Muitos outros também não podem. Não podemos ser tachados de interesseiros por sujeitos, perdão da palavra, que se julgam donos da situação e que não abrem espaço para compartilhar o ministério, ou melhor, o serviço.

Enquanto os pastores pensarem em ter "cargos de pastor" e não em exercer a função de pastor engessaremos a igreja. Como não existe concurso para pastor, existe a politica das associações, que não representam as igrejas, mas sim corporações de pastores instituídos.

É necessário buscar um meio termo. Não vai ser bipolarizando os novos teólogos em interesseiros e os velhos teólogos em bem intencionados que resolveremos esse problema. Precisamos compartilhar o serviço do ministério na igreja de Cristo.

Se alguém estiver querendo obter um cargo, ou manter um cargo, faça concurso público. A finalidade da igreja não é dar cargo a ninguém, mas dividir as cargas uns dos outros.