28/01/2013

Administração de dons

Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém. 1 Pedro 4:10-11

Geralmente ouvimos que pastores devem ter todos os dons. Isso não tem base bíblica. A justificativa para tal alegação é validar uma autoridade administrativa superior de um indivíduo sobre outros. Obviamente isso contraria o principio de igualdade entre os irmãos e de sacerdócio universal dos crentes.

Não interessa à igreja de Cristo essa superioridade de mandantes. Se somos iguais em Cristo, também nos administramos em Cristo. Divide-se a função do pastor como cuidador, administrador e conselheiro, de forma geral. No caso de administrador é onde ocorre a confusão. Alguns pastores pensam que são executivos da igreja. Isso é um erro.

O pastor como administrador não é um executivo, ao contrário, é um despenseiro. Administrador é um termo modernizado por uma ciência, mas a administração da igreja tem a ideia bíblica de ser mordomo da dispensa. Ser despenseiro significa prover a partir dos suprimentos de forma organizada para que não faltem nem estraguem.

Muitos deixam talentos faltarem ou estragarem. De tão notória que torna certas funções na igreja, ninguém quer assumi-la, havendo falta. De tanto manter “no banco” certos dons e talentos ocorre a perda de talentos para a igreja. O único talento se torna o pastor que, em tese, “possui todos os dons”.

Sob essas considerações, vejamos o que Pedro nos orienta sobre a administração dos dons. A administração dos dons é feita por “cada um”, sendo aquele que recebeu o dom o próprio despenseiro de Deus. O pastor é despenseiro de forma geral, mas não pode limitar o dom dos irmãos, pois dessa forma será péssimo mordomo da igreja.

Outra coisa interessante é que a administração dos dons é segundo “o poder que Deus dá” e não necessariamente segundo a permissão pastoral. Cada um deve administrar o seu dom segundo o poder de Deus. Ao pastor cabe distribuir o espaço para a administração dos dons, como despenseiro da igreja. O pastor não deve ser um castrador cheio de autocracia.

Infelizmente, isso já é comum. Precisamos mudar essa situação. Precisamos que os dons sejam exercidos na igreja com liberalidade. Não precisamos fechar os dons em grupos específicos autorizados por uma única pessoa que administra segundo a ciência administrativa, mas não segundo o Evangelho.

É importante que os pastores percebam que não tem a primazia do púlpito. A primazia do púlpito é de Deus. Ao pastor cabe ser despenseiro, permitindo que todos cresçam ao ouvir uns aos outros, admoestando uns aos outros. Observe que a admoestação é recíproca, mutual, entre todos os indivíduos. Quando apenas um individuo admoesta, gera-se personalismo e pobreza espiritual.

Precisamos fazer como nos ensina Pedro, deixar que cada um administre o seu dom. O pastor está na igreja para orientar essa administração como conselheiro, cuidador, mordomo, e não como executivo. Se nossos pastores se tornam executivos, deixamos de ser igreja e nos tornamos empresa privada. Oremos por isso.