08/12/2012

Programação espiritual

Existem alguns estudiosos evangélicos frontalmente avessos à psicologia. Não penso assim, apesar de não ser o que consideram no meio corporativo eclesiástico um estudioso. Penso que na verdade, alguns pastores devem parar de pregar a psicologia e pregar a Bíblia. A psicologia é útil em alguns casos mas não pode de forma alguma
substituir a religião. Essa substituição se mostra em aconselhamentos psicologizados e menos bíblicos. Também demonstra-se em apelos a autoridade da psicologia para fundamentar argumentos de natureza espiritual. Obviamente isso não é desejável e nem mesmo deve ser feito.

Mas parece que algumas falsas igrejas estão indo ainda mais longe, estão sugerindo programação mental para solução de problemas dos mais diversos. Nada diferente do que já vêm fazendo há muitos anos, mas agora está descarado.

Dizem para as pessoas procurarem ideias positivas sobre determinada coisa e repetirem para si mesmas até se convencerem. Com isso pretendem resolver problemas familiares, financeiros, sociais etc. Isso é muito pior do que usar psicologia. É confissão positiva usada por místicos da nova era numa tentativa de se tornarem o seu próprio deus. Nas raízes da confissão positiva está a ideia de que um ser humano pode ser tão potente, se considerar-se assim, que alcançará um grau divino.

Obviamente isso é contrário ao ensino bíblico. Em lugar de confissão positiva a Bíblia nos ensina a perdoar, a orar pelos nossos inimigos, e a suportar no sentido de "aturar" mesmo, de "segurar a onda" quando as coisas estiverem difíceis. A Bíblia nos ensina coisas que quando praticamos de fato, somos muito mais bem sucedidos do que procurando alguns pastores cuja própria vida é mera aparência e, portanto, incapazes de aconselhar.

É nessa incapacidade pastoral que viceja a apostasia. Se um ministro não sabe orientar biblicamente, será autoritário e recorrerá a ferramentas de produtividade para garantir sua capacidade executiva. Coisa similar à confissão positiva é muito usado em empresas, a Programação Neurolinguística. Talvez tenha até a mesma origem
histórica. Entretanto tais atitudes não podem substituir a mensagem do Evangelho na igreja de Cristo.

O apóstolo Paulo em Gálatas nos diz que " há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo" (Gl 1.7). Você já reparou como esses indivíduos inquietam a igreja? Geralmente dizendo-se protetores da sã doutrina apenas fazem uma cama confortável para que descansem na mandância de uma igreja local. As pessoas pensam "o que será de nós sem esse pastor?" tudo porque o sujeito, condenando o
marketing pessoal, faz o seu próprio marketing usando técnica reversa.

Talvez alguém diga "Ah, mas nem todo pastor executivo trilhará tais caminhos", pode ser, mas todo o mal caminho começa com o primeiro passo. Antes dessas falsas igrejas existirem seus líderes aprenderam a manipular com os líderes de igrejas sérias. Agora, até quem era sério já começa a dar os seus pulinhos.

Quando se diz para tomar cuidado com os inquietadores logo pensamos em intrusos não autorizados pastoralmente, mas quantas vezes o inquietador, mandante e aproveitador é o próprio pastor? Precisamos ouvir o que Deus nos diz e não o que o homem nos diz truncando as Escrituras.

Lembro de certa feita quando uma igreja seria consagrada e passaria por uma sabatina para verificar a firmeza doutrinária da membresia. O pastor de então me pediu para fazer um questionário para ajudar a igreja a estudar com respostas prontas. Não vou entrar no mérito do questionário como ferramenta didática, mas o que importa é que fui obrigado a mudar algumas perguntas. Uma das perguntas mudadas dizia que na igreja batista a autoridade máxima em decisão é a assembléia. O pastor retrucou "Você tá maluco? Tira isso dai que vai me arrumar problema!" Pior de tudo é que o pastor falava isso bem intencionado pois nunca vira aquilo acontecer numa igreja batista de fato.

Essa pequena digressão nos mostra que facilmente, podemos seguir o caminho da apostasia se não estivermos firmes doutrinariamente. Inclusive os pastores, ou diria até aos pastores executivos, principalmente eles.

Não podemos sentar em cima de nossa confissão doutrinária e princípios denominacionais e pensar que estamos confortáveis ou que somos mais estáveis do que os outros. Devemos evitar a programação espiritual que ocorre em nossas igrejas com o nome de liderança ou de "unção". Devemos ser sentinelas em nossas próprias fortalezas e não nas fortalezas dos outros. Enquanto vigiarmos a fortaleza do vizinho a nossa estará sendo minada por Satanás, apesar de toda liderança, unção
ou capacidade administrativa.

Convido você a pensar nisso. Até que ponto estamos realmente firmados em nossos principios e doutrinas? Se estamos de pé cuidemos para não cair (1 Co 10.12).