11/12/2012

Opressão Silenciosa nas igrejas

 
Às vezes fico me perguntando como alguém pode pregar o Evangelho se não crê na integralidade do mesmo. O Evangelho, na íntegra, é o que devemos pregar e não apenas parte dele. Alguns chegam a encher o peito e dizer que só pregam a Salvação e mais nada. Ora, o Evangelho é principalmente Salvação em Cristo Jesus, mas nós seres humanos vivemos essa Salvação a partir de ensinamentos e doutrinas. Pregar meramente a Salvação sem doutrina é o mesmo que levar as pessoas a dizerem-se salvas sem saber porque. Não é a toa que muitos entre nós tem dúvida se são salvos segundo alguns autores.

Parece que a dúvida acerca da Salvação começa com os próprios pregadores, aqueles que presidem. Imagine uma situação, empresarial para contrastar, onde um chefe de profissão concorrida tenha seu salário garantido a partir de agradar uma maioria influente. Logicamente ele agradará essa maioria para não perder seu salário, pois não tem para onde ir. Infelizmente isso acontece com muitos pastores hoje em dia.

Inventaram a história de ministério integral com parca base bíblica. Impuseram aos pastores que aceitassem isso "para o bem da igreja". Tacharam aqueles que não concordavam com isso de soberbos "que não querem se submeter à igreja", mas o que vemos é que aqueles que teoricamente se submeteram ao pastorado em tempo integral, cada vez mais submetem as igrejas ou curvam-se a grupos específicos com grande influencia, especialmente grandes famílias que controlam as igrejas locais em colaboração pastoral.

Vivemos num sistema oligárquico e não democrático. A perpetuação de indivíduos, ou grupos específicos, sem rotatividade é uma marca clara disso. Alguns nem se dão conta pois estão apenas preocupados em assistir ao culto e ir para casa. Outros estão incomodados mas não podem falar a risco de uma segregação social a partir do grupo dominante.

A desculpa que usam é que precisam ter certeza de que os indivíduos são confiáveis. Ora, desconfiam de todo mundo, mas quando alguém da "panela" aparece é logo integrado sem problemas. Parece que o governo das igrejas passa por uma questão de berço e não por uma razão espiritual.

O que é ser batista hoje? É deixar a democracia, que prezamos tanto, pelo menos nominalmente? É fazer articulações políticas de aparência para ser bem quisto por todos quando não temos um coração arrependido? Pode parecer estranho, mas isso acontece em nossas igrejas. Precisamos mudar isso.

Para dar um exemplo cotidiano, um servo da igreja deixou um aviso publicado para todos. No outro domingo, chegou cedo e encontrou outro irmão, que exercia liderança, apagando parte do aviso. Quando o "líder" viu o servo se assustou e perguntou "a quanto tempo você está aqui?", o servo disse para evitar atritos "cheguei agora". Quando a informação foi relembrada para o grupo o tal "líder" falou cinicamente "Ah, é isso que significa aquilo alí? Não sabia não..."

Este é um exemplo da politica sutil que ocorre em nossas igrejas. Não precisa dizer que o "líder" pertence a uma dinastia. As igrejas batistas estão ficando cheias de hipócritas, que desejam derrubar o outro mas sem assumir responsabilidade. Na verdade, querem se fazer de santos e até de vítimas. Não admitem que as pessoas os avaliem negativamente e por isso agem fraudulentamente.

Todos nós somos falhos. Se nos reconhecemos como servos não teremos problema em pedir perdão, mas se nos reconhecemos como líderes, vamos desejar manter a pose. Estamos perdendo a sensibilidade para o conteúdo e nos centralizando nas aparências e nas honrarias. De aparências e honrarias nenhuma igreja sobrevive.

Acredito que estamos num período similar de algumas igrejas em países ricos. As aparências e honrarias destruíram sua essência doutrinária e principiologica, por isso esvaziaram. Pode-se enganar as pessoas por algum tempo, mas não para sempre. Não adianta dizer-se fiel a doutrina só na aparência. É necessário essência. Os batistas estão trocando essência por aparência.

Já me aconselharam "esquece esse assunto e se junta à panela", mas não é assim que a Bíblia ensina. Devemos ser fieis até a morte assim como os cristãos primitivos. Mesmo que isso implique em perder algo. Os cristãos primitivos tinham menos direitos civis mesmo em tempos sem perseguição, por acreditarem na Palavra de Deus. O que devemos querer? Os direitos reservados às "panelas" ou o serviço voluntário, revezado, compartilhado e digno de Deus?

Eu ainda espero que os batistas acordem da opressão silenciosa que nos rodeia. Ainda espero que as "panelas" não existam mais em nossas igrejas. Do contrário, veremos um decremento do Evangelho graças a vaidade e corporativismo de uma minoria.


Marco Teles
B.el Teologia | Pedagogo
Casado com Lucimar