05/11/2012

Devemos dizer sempre: sim,sim, não não?

Hoje tive uma experiência singular com relacionamentos à luz da Bíblia e com um raciocínio mais elaborado. Algumas coisas confirmei e outras reforcei.O versículo bíblico de Mateus 5.37 foi minha inspiração de hoje:

Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de  procedência maligna. Mateus 5:37

Parece simples. Só devemos dizer e confirmar ou negar e confirmar a negação. Mas não é exatamente assim. Por exemplo, para o raciocínio lógico matemático, quando dizemos não, não, estaríamos dizendo sim pois um não nega o outro, mas em linguagem humana, mais figurada e menos objetiva, não é bem assim. Bom, se isso é muito para pensar vamos a história da minha experiência.

Hoje, conversando com um amigo que eu reconheço como competente na área de informática, lhe disse que meu computador não iniciava. Perguntei-lhe o que provavelmente seria, ele me disse que poderia ser apenas poeira emperrando o cooler do processador. Ponderei sua afirmação e reputei-a por verdadeira.

Um pouco mais de tempo, e meu amigo faz a seguinte afirmação "recursos eletrônicos melhorariam muito mais a condição dos professores, pois recursos ultrapassados não bastam". Como desenhista, eu sou um fã do quadro negro, ou branco, para dar aulas, portanto, discordei afirmando que não importa a tecnologia se o professor não souber usá-la, um quadro negro bem usado pode ser melhor do que um computador. Obviamente ele discordou a partir de sua observação leiga. Mas discordar não é o problema, ele queria vencer o debate, em uma área que não era a dele, esse é o problema.

Como recurso retórico meu amigo perguntou: "uma criança aprende mais em uma sala de aula cacarecada, toda suja e caindo aos pedaços, com um quadro negro ruim ou aprende mais em uma sala de aula toda higienizada, pintada, decorada, com um quadro negro e uma televisão de 60 polegadas de última geração? Sim ou não?"

Disse-lhe que essa pergunta era complexa e comecei a decompo-la para explicar, mas ele disse: "sim ou não? Não tente me enrolar". Insisti que a pergunta era complexa, mas ele não querendo ouvir, disse que não era possível "dialogar" comigo, que eu era muito orgulhoso e que sempre queria estar certo. Trocamos mais umas farpas e saí deixando-o com a sensação que escolheu ficar.

Pode parecer uma conversa banal. Pode até parecer que eu sou orgulhoso, mas tanto os resultados finais do dia quanto alguns ensinamentos bíblicos com certos esclarecimentos instrumentais da filosofia, fizeram com que eu percebesse que não sou tão orgulhoso assim, bem, talvez até seja, por estar escrevendo isso, mas leia até o final e você entenderá a lição.

No caminho de ônibus meditei um pouco. Cheguei em casa e aspirei o computador como meu amigo tinha dito, resultado: funcionou perfeitamente! Ele estava certo. Eu dei ouvidos à sua competência e fui abençoado. Outras bênçãos foram as lições que tirei dessa conversa: relembrar o conceito de diálogo, o conceito da falácia do falso dilema e aplicar isso ao contexto bíblico em minha vida.

Quando meu amigo fez a pergunta sobre a sala depredada e sala perfeita com televisão, ele fez uma pergunta hipotética. Toda possibilidade deve ser verificada com sinceridade. A resposta não podia ser apenas sim ou não quanto ao uso de aparelhos eletrônicos para melhoria do trabalho docente, pois meu amigo, descuidadamente mudou o ambiente de comparação.

Para que se pudesse avaliar a questão do aparelho eletrônico era necessário que as duas salas fossem iguais, se as duas salas eram opostas em termo de qualidade, seria impossível avaliar de forma isenta o uso da TV em sala de aula. Ao me propor apenas a possibilidade de dizer sim ou não meu amigo me colocou num falso dilema, pois a pergunta era muito complexa para um mero sim ou não. Já começou a perceber a conexão com o texto bíblico? Ok, continuemos.

Enquanto sou acusado de não dialogar, de ser soberbo, meu amigo contraria o que acabara de ocorrer: eu aceitara sua opinião especializada, mas ele recusara minha apreciação quanto à minha área de conhecimento por mero senso comum e preconceito. Olavo de Carvalho define muito bem dialogar quando diz que o diálogo é um discurso em busca da verdade. No primeiro discurso, sobre o computador, eu encontrei a verdade e fui abençoado. No segundo discurso, sobre tecnologia eletrônica na pedagogia, meu amigo saiu apenas vencedor, pois se colocou como vítima, como humilde e como alguém que dialoga. Entretanto, apesar dele dizer que dialogava, não buscou a verdade, queria apenas um empate ou vitória numa luta verbal. No diálogo ninguém vence, só a verdade vence.

Provavelmente, meu amigo não estava ligado nisso, afinal, a maioria das pessoas raciocina assim devido ao nosso sistema de ensino esquerdista. Mas vamos agora ao que interessa. Temos que dizer sim, sim, não, não, em alguns casos e em outros apenas dizer talvez ou "se você está dizendo...". Calma não se espante! Eu explico.

Quando Jesus diz o vosso falar refere-se ao que nós dizemos como individuos. Jesus não diz para apenas concordarmos ou discordarmos das pessoas em tudo, ao contrário, ele mesmo deu exemplo diante dos fariseus que o prenderam quando perguntaram se Ele era o Messias: "Tu o dizes"(Marcos 15.2). Jesus poderia demonstrar com argumentos que Ele é o Filho de Deus mas não argumentou, porque os fariseus só queriam vencer Jesus, os fariseus não buscavam a verdade.

Como cristãos portanto, precisamos dialogar para encontrar a verdade e não meramente para que nossa ideia vença, também devemos dizer coisas apenas verdadeiras às quais possa-se afirmar sim e não, além disso, devemos tomar cuidado com o que os outros dizem pois quem não é cristão não tem compromisso espiritual assumido e confirmado com a verdade, então, calemos ou digamos "tu o dizes", como eu deveria ter feito.

Resumindo então, apliquei à vida verdades bíblicas e conceitos importantes que já tinha ouvido numa aula do seminariodefilosofia.org, qualquer semelhança não é mera coincidência, é verificação. Como resultado de dialogar pela verdade, consertei meu computador e posso novamente fazer coisas digitais, incluindo esta postagem.

Deus sempre nos abençoa. Até quando pensam que perdemos. Creia nisso.


Marco Teles
B.el Teologia | Pedagogo
Casado com Lucimar