29/11/2012

Brinquedos e bugingangas


Parece esquisito aconselhar alguém a olhar para a lua para observar um belo luar? Para alguns parece que é.

Quando venho do trabalho para casa, cruzando a ponte Rio Niterói, costumo olhar para a paisagem, isso quando não estou dormindo, claro. Engarrafamento de ônibus é maçante. Tenho observado que cada vez mais as pessoas se distraem com bugigangas eletronicas e aproveitam cada vez menos a paisagem.


A lua hoje estava linda. Liguei para minha esposa e aconselhei que levasse minha sogra para admirar a lua. Para meu espanto, ocorreram meneios de cabeça reprobatórios, e algumas piadas e risos. Como se tal recomendação fosse o cúmulo do ridículo. Isso me faz pensar como as pessoas estão longe de Deus. Quando não conseguem sequer admirar a criação, e até acham ridículo, jamais poderão encontrar Deus em seus celulares e tabletes, ou mesmo radinhos de pilha que perturbam com funk e pagode.

Lembro da minha infância, quando nas noites de verão, mesmo sendo pobres mal tendo um par de calçados para a escola, parávamos com os mais velhos para observar as estrelas e a lua. Minha mãe até proibia que apontassemos para as estrelas em sinal de respeito à criação de Deus. Dizia que dava verruga. Que diferença dos dias atuais!

É incrível quando encontro crianças que nunca brincaram de "ver" formas nas nuvens e que ficam encantadas com essa brincadeira ancestral. Isso era algo comum na minha infância, quase diário. Eu não tinha brinquedos, ou geralmente os recebia só no Natal, pois a verba familiar não dava para comprar brinquedos que durassem mais do que um mês de brincadeiras. Às vezes eu invejava os meninos que tinham trenzinhos de brinquedo e coisas desse tipo, mas hoje eu vejo que o privilegiado era eu. Eu tinha um brinquedo do tamanho do céu, indestrutível, transformável e belíssimo, ao passo que o trenzinho logo seria doado depois que o garoto rico "enchesse o saco" daquilo. Já o céu, ele nunca enjoa.

Gosto de olhar para os infinitos onde os homens algum dia, ou em inúmeros dias, tiveram a noção da transcendencia, de sua finitude, da imensidão de Deus. Céu e mar são meus infinitos-finitos favoritos. Exatamente nesse brincar com a Criação que nos encanta, podemos ver a mão de Deus. Nossos jovens estão cheios de bugigangas, pensam que têm melhor qualidade de vida, mas estão vazios de Deus. É uma sociedade conectada somente a transistores ou chips, mas desarticulada do mundo em que vivem e da capacidade de admirar a obra da mão de Deus.

Ficamos querendo tanta coisa, queremos ser conectados, mas nos tornamos cada vez mais sozinhos e vazios porque não podemos admirar a vida.

Não se admira mais o silêncio, mas o barulho especialmente de funk. Não se admira mais o diálogo para trocar aprendizagens mas apenas o jogar conversa fora com assuntos como fofoca, espetáculo e festas. Ninguém, ou quase ninguém, conversa mais sobre o essencial. O pequeno príncipe seria um bocó numa geração assim. A Bíblia perde o interesse para eles, pois pessoas vazias são incapazes de meditar nas escrituras.

Dizem que em Buenos Aires há uma livraria em cada esquina, aqui no Rio de Janeiro existe um boteco em cada esquina. E ainda querem falar mal dos hermanos!

Não se espante se isso acontecer em nossas igrejas. Nossos jovens usam os mesmos brinquedos e, com isso, vão limitando suas mentes e espíritos ao código binário e nada mais.

Quero fazer um apelo a você que é pai ou mãe. Mostre o céu para seu filho, vá até a praia e fique um tempo com ele olhando o horizonte e o voo dos pássaros marítimos. Quando passar pela roça procure identificar as árvores, observe os animais, ouça o canto dos pássaros. Não adianta nada ensinarmos sobre a criação na igreja com flanelógrafo, vídeos, brincadeiras de imitação, se não observamos a mão de Deus agindo no dia a dia e com cuidado.

Priorize isso a dar brinquedos bugigangas para as crianças. Pois as bugigangas passam, mas a Palavra de Deus e a obra de Deus permanece em nossos corações.

Marco Teles
B.el Teologia | Pedagogo
Casado com Lucimar