12/10/2012

Grande e Bobo


Se eu não for o único grandão e bobo, então estarei discorrendo sobre algo plausível, senão sou apenas isso. Porque digo isso? Quando criança era comum eu ouvir tais palavras pois apesar de muito mais novo do que meus colegas de escola pública era bem maior do que a maioria. Devido ao tamanho pensavam que eu era mais velho, portanto, mais maduro. Não era raro que moças, casadoiras, se aproximassem e depois saíssem correndo ao  perceber as bobices da infância escondida atrás do tamanho. Também era comum apanhar de praticamente "homens feitos" com a metade do meu tamanho. Acredito que isso aconteceu com a maioria dos grandões, especialmente aqueles que passaram a maior parte da infância cuidando da bronquite. Mas não chore ainda! Tem coisa pior!

O pior do que percauços de criança, que são naturais ao desenvolvimento, é ver que boa parte do povo evangélico pensa que tamanho é sinal de maturidade ou mesmo de potência. Uma criança grande tem cabeça de criança, músculos de criança, experiência de criança. Tamanho muitas vezes não acompanha ao mesmo tempo a maturidade, competência ou habilidade. Isso acontece também com igrejas, ou ministérios, alguns até com certa idade.

Espera-se que um ministério grande seja o suprassumo do sucesso, no sentido de ser bem sucedido e não meramente de fama, mas algumas vezes é o contrário. Existem grandes corporações que são apenas grandes, mas têm músculos, mente e corpo de criança. Há igrejas que crescem em número, mas não no conhecimento da verdade.

Tendo isso em vista e entendendo que o desenvolvimento humano do individuo não é igual ao desenvolvimento da igreja como corpo de Cristo, embora estejam relacionados, podemos entender também que antiguidade não é posto. Algumas coisas são muito antigas, mas desprovidas de reflexão, ou quando há reflexão é baseada na defesa do posto e nada mais.

Como igreja de Cristo precisamos crescer espiritualmente reconhecendo nossas dificuldades e superando-as com arrependimento e amor e não com pirraças de crianças que dominam "posições ministeriais elevadas" e que pensam que sua vontade é a vontade de Deus simplesmente por não fazer ainda distinção de onde termina o eu e onde começa o outro.

Nossas pirraças acontecem quando pensamos que somos o baluarte da igreja, ou quando pensamos que todos devem nos obedecer como se obedecessem a Deus. Na verdade o que falta é reconhecermos que o baluarte da igreja é Cristo e que importa mais obedecer a Deus do que aos homens.

Vale a pena refletir. Temos obedecido a Deus ou a apóstolos, profetas, pastores ou "líderes" em nossa vida espiritual? Nossa referência nos relacionamentos interpessoais e eclesiásticos é a mera aparência ou realmente a essência? Enfim, admiramos mais o que o irmão fala da Palavra de Deus porque ele anda de carro ou porque anda a pé? Absurdo? Tem crente que pensa assim.

Precisamos transformar o nosso entendimento para que alcance um entendimento semelhante ao de Cristo, precisamos cultivar a essência do conteúdo, mais do que o conteúdo em si, pois só assim poderemos ver com o coração transformado por Deus e não somente com nossa vã concupiscência.

Todo caminho do homem é reto aos seus olhos, mas o SENHOR sonda os corações. Provérbios 21:2



Marco Teles
B.el Teologia | Pedagogo
Casado com Lucimar