09/10/2012

A Epístola de Judas - parte 1

Sempre tentei iniciar uma série de estudos mais coesa, mas meu temperamento inquieto me leva a várias direções de pensamento acerca da Palavra de Deus que não pode ser retida em um tubo de ensaio, obviamente. Contudo, tentarei ser um pouco mais disciplinado e, para isso, escolhi um texto mais curto como a epístola de Judas.

Judas apresenta-se como "Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos que foram chamados, amados por Deus Pai e guardados por Jesus Cristo" (Jd1). Embora o catolicismo negue a relação consanguínea de Judas e Tiago como irmãos de Jesus Cristo, devido à doutrina da virgindade eterna de Maria, podemos entender por inferência de outros textos bíblicos onde os irmãos de Jesus são citados, por exemplo:

Falava ainda Jesus à multidão quando sua mãe e seus irmãos chegaram do lado de fora, querendo falar com ele. Alguém lhe disse: "Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar contigo" (Mateus 12:46-47) essa passagem repete-se nos evangelhos. Também não podemos deixar de citar "Não é este o filho do carpinteiro? O nome de sua mãe não é Maria, e não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? Não estão conosco todas as suas irmãs? De onde, pois, ele obteve todas essas coisas? " (Mateus 13:55-56) os habitantes de Nazaré reconheciam a família de Jesus citando pai, mãe e irmãos. Que os visitantes católicos deste blog não se escandalizem, pois não tenho objetivo de ofendê-los, mas avaliem as Escrituras e a doutrina.

Enfim, estas são algumas justificativas para entendermos que Judas era irmão carnal de Jesus, convertido posteriormente, e que não faz rogo de sua própria origem, como demonstração de igualdade e humildade como cristão, algo raro atualmente. Concomitantemente tais versículos aludem sobre uma alegada virgindade eterna de Maria, que é incoerente com o fato de ter outros filhos. Observe-se, filhos, e não primos, o que é verificado pelo fato de João Batista não ser citado como filho de Maria mesmo sendo primo de Jesus, o que contradiz a alegação de que filhos e primos eram tratados pela mesma palavra na Bíblia.

Para encerrar esse discurso, entenda-se que a doutrina da virgindade eterna de Maria foi importada de cultos da fertilidade do paganismo onde as deusas mães, ou suas sacerdotizas, poderiam ser prostitutas ou celibatárias. Obviamente, com o sincretismo pagão transmitido oralmente pela tradição era mais fácil identificar Maria, mãe de Jesus Cristo, com deusas celibatárias. Os cristãos evangélicos rejeitam essa associação advinda da tradição oral, pois nossa única regra de fé e prática, a única Revelação escrita de Deus é a Bíblia Sagrada, nos livros reconhecidos já no concílio de Jamnia no que se referir ao Antigo Testamento também em alusão ao Novo Testamento.

Identificado o autor da carta, vejamos a quem ele escreve: "aos que foram chamados, amados por Deus Pai e guardados por Jesus Cristo" (Jd1). Ser chamado, amado por Deus e guardado por Cristo é um resumo da doutrina da Salvação. Judas preocupa-se em escrever aos salvos, aos servos de Deus, exortando-os acerca dos falsos mestres. Calma! Você talvez pense que sou um falso mestre. Não é bem assim, respeito sua religião, mas creio na Bíblia somente. Convido você para nossa próxima postagem onde estaremos discorrendo mais um pouco sobre a carta de Judas, irmão de Jesus Cristo, pois por hoje já foi informação bastante. Deus nos abençoe!




Marco Teles
B.el Teologia | Pedagogo
Casado com Lucimar