21/09/2012

Uma guerra entre irmãos

Durante o tempo dos juízes, quando não havia rei em Israel, cada um podia fazer o que parecesse bem desde que se guiasse pela lei de Moisés, mas o povo nem sempre seguia a voz de Deus.


Em Juízes 19 a 21 conta-se que um sacerdote de viagem com sua esposa, após parar na praça da cidade benjamita de Gibeá sem que ninguém lhe oferecesse a hospitalidade devida, foi recebido por um cidadão para pernoite em sua casa. Ao cair da noite, um grupo de pederastas ameaçou invadir a casa para abusar do sacerdote. Buscando um mal menor, foi oferecida a mulher do sacerdote, em lugar deste, aos homens perversos que abusaram dela até a morte.


Indignado, o sacerdote esquarteja o corpo e manda as partes da vitima para todas as regiões de Israel como testemunho e protesto quanto à maldade praticada nas terras de Benjamim. A ação do sacerdote pode parecer algo extremamente violento, mas aquela era uma época violenta em toda a terra, não podemos interpretar as ações de um povo situado em tempo e espaço cultural diferente do nosso com os valores atuais já cristianizados. Deus preparou a história para que chegássemos ao ponto atual de convivência e valores judaico cristãos. Entretanto, percebemos que o protesto do sacerdote, mutilando um corpo morto, não era previsto na lei mosaica ao passo que a violência sexual contra a esposa do sacerdote, ou contra o mesmo, era "loucura em Israel".


Quando as outras tribos de Israel, chocadas com o ocorrido foram reclamar por justiça à tribo de Benjamim solicitando a entrega dos malfeitores para a pena capital, Benjamim tomou partido dos malfeitores contra todo o restante do povo de Israel. Como resultado, quase toda a tribo de Benjamim foi exterminada, pois as tribos foram além do que Deus permitira ou permitiria. Arrependidos, temendo faltar uma tribo em Israel, o que contradizia a vontade de Deus, os israelitas por terem feito voto de não darem suas filhas aos benjamitas, acabaram permitindo sequestros de esposas para os homens restantes depois da guerra.


Com essa história aprendemos coisas importantes, entre elas a lição de que um homem de Deus é visado pela violência dos pecadores. Todos nós estamos sujeitos a violência de homens sem Deus que buscam satisfazer somente as próprias concupiscências. Outra coisa que aprendemos é que não valorizar a cultura judaico cristã nos conduz à barbárie. Se houvesse disposição para atender a lei de Deus, aquele levita não esperaria para ser hospedado em nenhuma casa e, muito menos, seria atacado por seus moradores como em Sodoma e Gomorra.


Aprendemos também que atitudes impensadas, sem negociação, sem um consenso, voltadas para o mero autoritarismo, ou até, a nossa intransigência em defender o pecado pode nos levar a um caminho de destruição social sem precedentes. Precisamos rejeitar o pecado mas evitando que o pecado nos corrompa em destruidores a título de fazer justiça.


De certo modo a tribo de Benjamim correu o risco de perder uma guerra para proteger o pecado, mas por outro lado, os israelitas em geral não conseguiram saber a hora de parar para conversar, pois estavam no calor das batalhas. No calor das batalhas não existe conversa.


Como cristãos, nos dias atuais, passamos por diversas batalhas em prol da moral judaico-cristã, e diria que elas são necessárias, pois a ausência de batalhas indica a dominação despótica de alguém. Diria até que inimigos de Cristo são incessantes nas batalhas que travam contra a família, a igreja, e à própria liberdade individual buscando uma padronização marxista da humanidade. Devemos resistir, mas não podemos ir além da resistência necessária nos tornando agressores, pois Deus é amor. Israel percebeu isso depois de ter transformado seu zelo em pecado, compete a nós, cristãos modernos, ser zelosos e conscientes para não nos arrependermos de algum possível excesso que, na atual conjuntura, pode ser usado até mesmo contra a igreja de Cristo pelos anticristos que já proliferam pelo mundo.