19/08/2012

Missionários do Escândalo

Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos. 1 Coríntios 1:23

Não dando nós escândalo em coisa alguma, para que o nosso ministério não seja censurado; 2 Coríntios 6:3

Outro dia fiquei escandalizado com uma missionária que prega entre prostitutos para uma junta de missões denominacional. Essa missionária pregou numa igreja, a qual resguardo o nome, pois a igreja e seu pastor não têm culpa. Vou descrever o ocorrido para vermos a quantas andam nossos missionários.

Ao assumir o púlpito leu um texto bíblico sobre prostituição, mas logo disse que não poderia usar aquele termo, pois o certo seria dizer “profissionais do sexo” talvez por orientação da junta de missões visando uma apresentação politicamente correta para com o mundo. Ainda tentou desmerecer a tradução que trazia o termo "prostituição" usando uma versão mais “contemporânea” que traduzia “imoralidade sexual”. Parecia que estava com vergonha da Bíblia, tendo que ajustá-la ao seu público.

Sua pregação durou cerca de 20 minutos, dos quais 15, consistiram em dar exemplos na história da filosofia para um discurso feminista de aceitação do prazer do corpo, carnal mesmo. Logo no início disse que não falaria com homilética, o que já denota falta de preparo, mas isso não seria um problema tão grande.

A missionária citou textos de Platão, um reconhecido pederasta, acerca da castidade; desfilou uma lista de citações agostinianas e de Tomás de Aquino acerca da visão do papel da mulher destes teólogos da Idade Média, e disse (sorrateiramente) que foi isso que herdamos da teologia. Ela não explicou que a visão de Agostinho advinha de ter passado por uma vida dissoluta entre prostitutas antes de sua conversão, e que Tomás de Aquino era um estudioso, numa época em que tal atividade era masculina, por isso defende que a companhia de homens facilitaria os estudos.

Para piorar comparou a visão da igreja acerca da sexualidade com os cultos órficos que eram cultos pagãos prestados ao deus Hades, ou Zeus Serapis, que era identificado pelos antigos como o senhor do inferno, no caso, o próprio Satanás. Este falso deus era considerado tão terrível, pelos próprios pagãos, que só sacrificavam a ele uma vez no ano em um único templo.

Demonstrando total inconsequência e falta de respeito dirigiu-se ao pastor dizendo que iria “impactar a igreja” e que, se quisesse reclamar, mandasse uma carta para a junta de missões (talvez porque não adiantaria nada) e depois levasse uma semana consertando o estrago. Isto foi dito de púlpito! É esse tipo de missionário que estamos financiando com campanhas e festas de missões?

Nos cinco minutos finais, desorientada no texto bíblico, tentou fazer um apelo, mas quem se converteria após ver projetadas no telão da igreja fotos que expunham a nudez sensualizada? Com certeza alguém pensaria: “eu não estou em uma igreja” ou pior “esta igreja não é séria”, ao contrário, a tal “missionária” é que deixou a desejar. No mesmo apelo recusou-se a chamar pessoas inconversas de não crentes, pois para ela “todos são crentes apenas ainda não perceberam”. De onde saiu isso?

Há alguns anos atrás o presidente dessa convenção publicou um vídeo com acusações sérias ao PT como partido anti família, e agora, na sua presidência, ocorre isso? Estamos enviando missionários ou ajuntadores de gente?

Infelizmente, a “missionária” parecia ter mais o linguajar e a articulação de ideias do grupo a quem deveria evangelizar do que a verdadeira Palavra de Deus. Tem muito missionário querendo “impactar”, aliás acho esse termo horrível, pois impactar é o mesmo que dar uma “pranchada” no rosto de alguém. A Palavra de Deus nos diz que “não é por força nem violência”.

Chega de missionários de trio elétrico! Chega de pregadores de power point! Queremos missionários que preguem no poder da Palavra e não da agitação ou mero ajuntamento. Existem missionários sérios, eu sei, eu também não sou um radical contra a inovação, mas essa tal junta já está querendo inovar demais.

Antes de querer inovar, “impactar”, ajuntar pessoas, é necessário que um missionário ou missionária saiba o feijão com arroz, no melhor sentido nutritivo do termo, O Evangelho de Jesus Cristo, pois, do contrário, mandamos missionários para evangelizar e eles é que são “mundanizados” pelos pecadores.

Que Deus tenha misericórdia de Sua igreja.


Marco Teles
B.el Teologia | Pedagogo
Casado com Lucimar