03/08/2012

Democracia Batista

Aristoteles | Wikimedia
Outro dia, estudava um audiolivro sobre filosofia quando uma coisa chamou-me a atenção. Dizia o autor que para Aristóteles havia uma sequencia sucessória no exercício do poder. Tal sequencia implica na existência de uma sociedade mais ou menos organizada, talvez tribal, que constitui a monarquia ao conceder poder a um individuo que resolve uma desordem na sociedade, em detrimento pessoal, de forma altruísta, para o bem de todos. Infelizmente, depois de algum tempo, tal monarca se corrompe em tirano pois torna-se interesseiro. O povo, então, derrubaria o tirano e rejeitaria a monarquia buscando um governo de pessoas mais virtuosas, com qualidades que se destacam, daí surgiria a aristocracia formada por sábios que governariam sem interesse pessoal mas social. Entretanto, estes também, viram interesseiros e fecham o círculo de poder ao seu grupo de interesse formando a oligarquia, a famosa "panelinha". Segundo Aristóteles, estes também são substituídos por governantes eleitos numa democracia, entretanto a democracia também não está livre dos demagogos que formam o que podemos entender como uma oligarquia com aparência de democracia.

Parece que Aristóteles não era muito burro. Até falam bem dele. Imagine o Brasil, não somos exatamente uma oligarquia com aparência de democracia? Não são as mesmas famílias e "panelas" que estão no poder há séculos? Verifique com quem entende de política e verá que sim. Mas o assunto desse blog é a Bíblia e nossa relação de fidelidade a Deus. Portanto, observe, isso parece ter algo a ver com a história dos batistas no Brasil.

Fomos evangelizados por missionários americanos que financiavam generosamente muitas obras, mas mantinham o poder em suas mãos. Ora, por princípio, a igreja batista é democrática, os americanos estavam em contradição, então os brasileiros buscam e conseguem a autonomia só que sem o dinheiro de antes. Sem dinheiro, muitas estruturas caras de se manter, e muitas vaidades também, acabam ruindo, como um grande parque gráfico na mão de quem não entende de artes gráficas mas gosta de mandar.

Entretanto esse não é o fim. Existe a ameaça do pentecostalismo que pescava em aquários. Muitos pentecostais gostavam de arrebanhar membros em igrejas batistas, ou até igrejas inteiras, então os crentes fiéis a doutrina, se preocupam e procuram pessoas virtuosas na doutrina e poderosas na palavra para combater a perda de congregações. Alguns desses virtuosos fazem sucesso, mesmo que neguem que procuram sucesso, e tais virtuosos tornam-se referencia denominacional, que poderíamos chamar de uma aristocracia dentro de um grupo democrático. Até aí tudo bem, mas quem acostumou a ser elogiado como virtuoso não se acomodaria em voltar para a mediocridade, o que deveria ser natural e saudável.

Os virtuosos querem manter seu status e começam a se fechar em oligarquias com mentores diferentes. Os mentores mantém uma esgrima apurada que sempre termina em empate, mas quando seus companheiros começam a partir para a glória eles percebem que precisam perpetuar o seu legado. Daí surge a oligarquia.

A igreja batista, hoje, é resultado desse processo histórico. Somos democracias nominais e negamos de pé junto que, de fato, somos oligarquias. Precisamos ser verdadeiros e sinceros e reconhecer isso. Até Bruno Mazeo, filho do Chico Anízio, reconheceu a influência do pai em sua carreira, mas muitas dinastias batistas negam que isso aconteça.

Precisamos voltar ao nosso principio democrático, sem máscaras e artifícios oligarquicos, pois se não somos fiéis aos nossos princípios, como podemos ser fiéis em qualquer coisa, ou mesmo ser fiéis a Deus?

Para sua reflexão. Deus o abençoe!


Marco Teles
B.el Teologia | Pedagogo
Casado com Lucimar