10/06/2012

Evangelho Social?

O versículo 10 de Gálatas 6 "Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé" pode ser mal interpretado como assistencialismo social, mas isso é tirar o totalmente o texto de seu contexto. Observe que não sou contra a ajudar o próximo, mas quero apenas estudar com você que este texto não se refere a ação social na igreja, embora outros se refiram. Vamos à análise?

A igreja na Galácia passava por debates com os judaizantes que desejavam que todos se circuncidassem como judeus, especialmente para ficar imunes à perseguição do império romano, visto que tornando-se judeus os gálatas adeririam a uma religião oficial do império. A prática de obras religiosas e observação da lei mosaica, pregados pelo judaizantes, provocava muita discussão e discórdia entre eles. É devido a essa situação que o capítulo 5 de Gálatas trata dos frutos da carne e do Espírito tendo em visão o que acontecia naquela igreja.

Os judaizantes desejavam impor à igreja as cargas impostas pelos fariseus ao povo de Israel durante o ministério de Jesus, Paulo diz: "Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo.Porque, se alguém cuida ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo" (Gálatas 6:2-3) Claramente Paulo refere-se ao orgulho farisaico de salvação pelas obras da lei, portanto o versículo citado no início desta postagem não abrange um contexto assistencialista mas um contexto espiritual de unidade em Cristo.

Entretanto, Paulo adverte para não deixar de fazer boas obras como oposição ao ensino dos judaizantes, mas fazê-las por amor a Deus e porque lhe somos agradecidos. Claro que isto se estende aos judaizantes que eram recebidos, talvez como pregadores itinerantes que precisavam de hospitalidade, mas Paulo adverte que devemos ser hospitaleiros com todos, especialmente, para com aqueles que trazem a verdadeira Palavra de Deus sem contaminação.

Vemos portanto que apesar de ter uma pontuação social, no caso da hospitalidade entre os antigos, o texto não se refere a obras sociais, porém à disposição de receber, com um cuidado especial, aqueles que trazem o verdadeiro ensino do Evangelho. Se reduzirmos o cunho do texto para o assistencialismo estamos esvaziando o seu significado mais importante que é saber distinguir quem são aqueles que nos dirigem a palavra e o que estão ensinando.

Chamo atenção para essa interpretação para evitarmos referências a um "evangelho social", pois a igreja de Cristo não é um lugar onde se perpetua a pobreza, ao contrário, os que chegam às igrejas sérias costumam ter uma melhora social conforme crescem espiritualmente. É um perigo transformar versículos fora do contexto como pressuposições assistencialistas como muitos pastores têm feito, pois ao fazermos isso, nos afastamos do verdadeiro evangelho e nos tornamos como os fariseus.

Marco Teles
B.el Teologia | Pedagogo
Casado com Lucimar