06/05/2012

Patrão ou deus?


Hoje fui comprar em uma loja. Depois de fazer meu pedido fui até a expedição retirar a mercadoria. Conversei um pouco com o rapaz do balcão, alguns poucos minutos, mas logo toca o telefone. Era seu patrão reclamando que ele deveria estar produzindo ao invés de estar conversando. O rapaz esclareceu que era com um cliente, mas logo emudeceu. Olhei em volta buscando uma janela de onde o tal patrão estaria controlando o trabalhador desnecessariamente. Não vi nenhuma janela, mas elas não são necessárias num mundo de câmeras ocultas.

Isto nos mostra um caminho ruim para a tecnologia, mesmo que ela seja uma bênção de Deus. Provavelmente, este péssimo patrão, autocrático, autoritário e controlador (meio parecido com alguns pastores) colocou tais câmeras como medida de segurança. Mas o poder de vigiar nas mãos de alguém sem o amor de Deus é devastador e opressor.

Isto me faz pensar sobre as ações das pessoas para se tornarem como Deus. Essas ações são a raiz do pecado. A serpente convidou Eva a comer do fruto da arvore do entendimento do bem e do mal para que fossem “iguais a Deus”. Essa tentação continua até hoje, seja entre homens ou mulheres. Podemos deduzir um trio de desejos para o pecado: querer saber tudo, querer estar presente em todos os lugares e querer controlar tudo. Esse trio de desejos é exatamente querer ser igual a Deus imitando Sua Onisciência, Onipresença e Onipotência.

O patrão de nosso caso de estudo, assim como são treinados a maioria dos empresários, queria saber tudo que ocorre em sua empresa, isto é, seu santuário particular, onde os empregados deveriam estar cientes da “presença” e “potência” de seu empregador.

Outras pessoas não usam um complexo e caro sistema de vigilância e comunicação, mas usam a fofoca, até na igreja. Muitos pastores mantêm-se informados dos acontecimentos da igreja ou da denominação através de fofocas, isso porque é mais fácil usar informantes do que visitar e aconselhar pessoas.  Mas não se espante pastores também são pecadores como eu e você, não estamos recriminando-os por serem fracos, como nós, estamos apenas reconhecendo um problema grave em nossa vida eclesiástica.

Por falar em vida, e nossa vida pessoal? Quantas vezes já fomos mandões, convencidos e controladores com nossos filhos, esposos, pais. As pessoas precisam de liberdade com responsabilidade para se desenvolver. Seres humanos não são adestrados para ouvir uma voz de comando, mas foram feitos para cada vez buscar melhorar, especialmente na presença de Deus.

Jesus é nosso exemplo. O que Ele fez? Mesmo sendo Onipotente, Onipresente e Onisciente deixou temporariamente a sua Glória Divina para nos Salvar igualando-se a criaturas humanas para torna-las seus filhos pela fé, esse é o verdadeiro poder, ser capaz de abrir mão do poder não ser escravo da potencia, mas servir por amor.

Jesus também se mostrou presente com os pobres, doentes e os mais desprezados no tempo de seu ministério terreno, mesmo que Ele conhecesse o coração de todos, não controlou ou manipulou ninguém mas, como ainda hoje, convida a todos ao arrependimento pessoal e voluntário com fé nele como Salvador numa aceitação da Salvação. Jesus poderia nos obrigar a aceitá-lo, mas se fizesse isso em sua onipresença, se tornaria como os pecadores cujo espaço entre eles e as pessoas, está repleto de tecnologia ou mesmo de títulos e pose.

Jesus também mostrou a importância de abrir mão da ciência na hora certa. Afinal, engana-se quem pensa que a ciência responde tudo. Quando Jesus foi levado à cruz, Ele poderia convencer a todos de que era o Cristo usando sua sabedoria que excedia a toda a humanidade junta, mas foi mais sábio do que podiam esperar aceitando o escárnio e morrendo na cruz para nos salvar. Como é difícil para nós abrir mão de nossa sabedoria, mas Jesus é maior do que nós Ele é tão sábio que mesmo aparentemente derrotado aos olhos dos escribas e fariseus, transformou a história espiritual dos crentes para sempre.

Como temos agido? Buscando poder, saber e presença para satisfazer nossa carne, ou utilizado esta semelhança com Deus para glorifica-lo? Lembre-se que somos abençoados em poder, saber e presença pela nossa semelhança para com Deus que nos criou, mas não somos iguais a Deus. Não desejemos ser iguais a Deus, mas nos tornar servos uns dos outros para satisfazer a boa, perfeita e agradável vontade de Deus e não o nosso egoísmo. Que Deus nos abençoe poderosamente, sabiamente e em todos os lugares.



Marco Teles
B.el Teologia | Pedagogo
Casado com Lucimar