14/04/2012

A sociedade do dane-se

Charge sobre a proibição de se pregar em trens
Me parece uma grande baboseira dizer que o homem não precisa de religião para regular a vida. A isto me refiro no sentido estritamente social, pois a Salvação é outro assunto que ultrapassa o social. Se observarmos que o homem é um ser social e que a religião é uma forma de equilibração dos desequilíbrios sociais, aliás, a mais eficiente de todas as equilibrações possíveis, podemos entender que uma autonomia humana para a harmonia entre os homens é ilusória e conceitualmente fabricada - o tal do politicamente correto. Religião não pode nem deve ser politicamente correta. A forma natural das sociedades se regularem é a religião que é socializada, o egocentrismo pós moderno leva a uma sociedade indiferente, a sociedade do "dane-se".

As pessoas dão pouco ou nenhum valor para a moral, a educação, os bons costumes porque ninguém tem nada a ver com o que ele, ou ela, fazem. É uma censura do individual, transformada em lei, sobre o corpo social. Nesta "sociedade do dane-se" nada tem valor pois os vínculos são cada vez mais voltados ao consumismo do que ao compartilhar impressões e valores entre si. Os valores morais e éticos da religião são trocados por valores centrados em bugigangas.

Já entendemos que a religião em si é socialmente boa, mas sendo mais espirituais, vamos nos focar na religião da fé para a Salvação pela graça. O cristianismo não é politicamente correto, porque existe para resolver o problema espiritual do homem que só pode ser solucionado pela confrontação e arrependimento do pecado. Homens e mulheres que buscam a Salvação e não se entregam mais as "cantadas" do Diabo conhecem o abismo que o politicamente correto afunda a humanidade e a radicalidade da Salvação em Jesus Cristo. A recuperação de dependentes químicos através da fé em Jesus é prova incontestável disso.

O politicamente correto não transforma ninguém, ao contrário, propõe uma acomodação às trevas espirituais e morais. É até contraditório que defendam revoluções sociais quando buscam apenas uma acomodação sistêmica de indivíduos solitários e sem identidade como pertencentes a um grupo de querer, de fazer e de buscar a vontade de Deus que está além da vontade humana. Ora, a vontade de Deus é superior a humana e, mesmo para os descrentes, é mais prudente escolher a vontade de Deus do que a dos homens, ou mesmo a sua em particular para viver entre os homens.

Essa ideia de unanimidade é improdutiva e emburrecedora. As pessoas aprendem e desenvolvem seu pensamento, ideias, opiniões, e mesmo sua identidade pelo diálogo com Deus e com o próximo. Se é politicamente incorreto discordar de certas coisas e se aceitamos isso, aceitamos a ignorância. Mas, a quem serve a ignorância do diálogo, mesmo que contraditório?

Pense que você pode ser condenado por uma afirmação politicamente incorreta. Isso porque você é sincero, fala a verdade. Um corrupto é dissimulado e mente. O politicamente correto é extremamente útil à corrupção. Quantos corruptos politicamente corretos vemos a cada dia? São pessoas que não entram em atrito com ninguém, mas também não vêm problemas em fazer o mal, afinal, é politicamente incorreto criticar moralmente o outro, é preconceito.

Este é o plano dos anticristos: esvaziar o homem de Deus, separar o homem de seu próximo, possibilitar a acomodação ao corrompido, para que se sujeitem ao domínio do homem da iniquidade. Já existem até crentes entrando nesse caminho. Alguns não vêm problemas que cometam pecados graves a sua volta, afinal cada um deve ficar na sua. Devemos tomar cuidado para que a corrupção não floresça em nossas igrejas como algo natural, pois o natural para servos de Deus é pregar contra o pecado, viver em amor para com todos, manter a santidade imitando a Jesus, e submetendo-se em todas as esferas da vida até a eternidade a Palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo. Façamos isto e não aquilo.

Marco Teles
B.el Teologia | Pedagogo
Casado com Lucimar