10/04/2012

Ser um bicho ou ser humano?



Existe uma disputa entre humanistas aos moldes pagãos e ativistas pró-vida sobre a eutanásia de pessoas com morte cerebral. Para os tais humanistas parece óbvio que na morte cerebral deixa de existir a vida. Isso é uma contradição, pois se uma única célula viva ou órgãos vivos já representam a vida a questão não se refere à vida mas ao sujeito. Ao reconhecerem a "inexistência" do sujeito após a morte da mente em sua objetividade e subjetividade, reconhecem, em contradição à sua preferência pela eutanásia, que o individuo é mais do que a vida orgânica. É vida da mente, isto é, vida da alma.


Curiosamente querem justificar a eutanásia pela falta de vida, quando na verdade articulam a falta de alma. Isto não é assunto de ciência, pois não pode ser reproduzido nem testado em laboratório, é assunto de ética e de fé ao mesmo tempo. Se pela ética refletimos sobre nosso procedimento moral, é importante que tratando-se de fatos da alma, leve-se em consideração o conhecimento que tem mais experiência com o espírito em toda a história que é o saber teológico.


A ciência não pode ser arvorar de dona da verdade, exatamente por ser fragmentária, por centrar-se em detalhes e não no todo. Apesar dos esforços pela interdisciplinaridade, a visão completa do homem nunca será alcançada pela ciência, pois ela sempre será composta de fragmentos. Um mosaico de saberes não é um ser inteiro mas um ser quebrado e remendado. Precisamos portanto em nossas decisões a respeito da vida, especialmente no campo político, de considerar o valor da religião, da fé em Deus, do valor à vida humana como manifestação da alma como o ser humano por inteiro, que foi criado ser corpóreo e que ressuscitará como ser corpóreo na volta de Cristo.


É claro que a ciência não pode entender isso. Para os militantes do aborto e da eutanásia as pessoas não passam de uma pasta de órgãos descartável, sem alma, que serve a uma pretensa "colmeia" onde os príncipes desse mundo fazem tudo para continuar vivos eternamente, mas reservam o aborto e a eutanásia para os desvalidos e miseráveis.


Que sociedade é essa que formamos? Uma vida humana não vale mais do que um pedaço de carne? Se negam a existência da alma e defendem práticas contrárias à vida humana, que é corporal e espiritual ao mesmo tempo, tratam a cada um de nós, possíveis vítimas, como porcos pendurados no açougue de suas distopias materialistas.


Talvez eu seja gordo, mas sou mais do que um porco. Aliás, um porco tem seus direitos. Essa semana passou várias vezes uma reportagem sobre agressão a um cachorro, o que é uma violência inadmissível, mas quase não se falou na mídia patrocinada da votação em pauta no Congresso para facilitação do aborto.


Com certeza precisamos de políticos segundo o coração de Deus em nosso Congresso, municípios e Estados, do contrário, ficaremos no rabo da fila, atrás de ratos, porcos, cães e gatos, na defesa de nosso direito à vida. Seja consciente e escolha verdadeiros servos de Deus nessas eleições e não somente os crentes da mídia. Oremos pelo Brasil.

Marco Teles
B.el Teologia | Pedagogo
Casado com Lucimar