26/04/2012

As mega igrejas e a lição de Estevão

Atualmente há um desejo enorme de se fazer grandes igrejas, ou mega-igrejas, como se isso fosse um culto a Deus. Parece até que para cultuar ao criador é necessário alguma tecnologia e conforto que beire ao luxo. Se não fosse muita identificação com o catolicismo, creio que muitas igrejas evangélicas gostariam de ter suas paredes cobertas de ouro. Em contrapartida ao incremento do luxo eclesiástico decai a biblicidade da pregação.

Estamos transformando nossas igrejas em templos belíssimos, alimentando muitas vaidades mas cultuando pouco a Deus. Tudo tem um limite. Já trouxeram até pedra de Israel para enfeitar um templo dito evangélico. Claro que isso gera um misticismo e um novo tipo de indulgencia, leiloada como bênção, comum entre os neopentecostais. Mas entre os batistas, não é muito diferente, gera-se uma posição social, um status religioso para crentes tolos.

O evangelista Estevão ao pregar o evangelho para os judeus que cultuavam mais ao templo do que a Deus, disse as seguintes palavras

" Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta: O céu é o meu trono, E a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, Ou qual é o lugar do meu repouso? Porventura não fez a minha mão todas estas coisas? Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais".
Estes judeus olhavam tanto para o templo que não conseguiam ver a Jesus, não conseguiam agir com misericórdia perante Deus e buscavam cada vez mais o aperfeiçoamento de sacrifícios e de rituais. Os fariseus, que cuidavam das sinagogas como rabinos, enfatizavam um legalismo exagerado que nem eles poderiam cumprir, mas os saduceus que cuidavam do templo como sacerdotes estavam preocupados com o que o culto significava para seu próprio conforto. Estevão já teria falado demais para aquele contexto religioso, assim como podemos estar discorrendo sobre assunto que não agrade a muitos pastores, mas Estevão foi mais longe em sua pregação contra aqueles que mercadejavam com a casa de Deus:

"A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? Até mataram os que anteriormente anunciaram a vinda do Justo, do qual vós agora fostes traidores e homicidas; Vós, que recebestes a lei por ordenação dos anjos, e não a guardastes. E, ouvindo eles isto, enfureciam-se em seus corações, e rangiam os dentes contra ele".
Para Estevão, aqueles homens que ocupavam lugar de destaque num belíssimo templo eram assassinos de profetas e crucificaram o Filho de Deus. Ainda em sua última palavra profética Estevão viu a glória de Deus enquanto era apedrejado por aqueles que mataram os profetas. Dentre eles estava Saulo de Tarso, que se converteria e se tornaria o apóstolo Paulo.

A lição que tiramos para nossa vida espiritual desta história é que podemos nos tornar matadores de profetas, guardiões de muralhas entre Deus e os homens, como os saduceus e fariseus daquela época, ou podemos nos converter verdadeiramente a Cristo nos tornando seus servos e vivendo humildemente com Cristo no coração, ainda que numa igreja humilde, e ainda que nós mesmos não possamos ser notados por grande opulência.
Nós somos a casa de Deus. Cultuemo-lo em nossos corações para que a Sua Graça permaneça em nós e ultrapasse todas as aparências do mundo.