18/03/2012

O roto, o rasgado e o mal vestido.

Era uma vez um homem com as vestes rotas que desprezava outro rasgado. O rasgado também desprezava o roto. Um dia resolveram abrir suas igrejas, só que ao invés de irmãos, tornaram-se concorrentes.

Um acusava o outro, se faziam de vitimas mutuamente, e ninguém sabia qual dos dois cheirava pior. E correndo por fora, ainda vinha outro gritão na briga pela audiência, que ninguém sabia se era roto ou rasgado mas que era bocudo, ah, isso era!

Um dia o roto, o rasgado e o bocudo morreram e foram até o céu. Tinha muitos irmãos de suas igrejas esperando eles lá. Mas quando foi lido o livro de Apocalipse eles não puderam entrar no céu, pois um era roto, o outro rasgado e o terceiro estava de terno cinza.

O texto que seria lido em nossa história "fictícia" é Apocalipse 7.13-14:
E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram? E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.
As vestes brancas representam inteireza de caráter.
A competição midiatica tem levado alguns ao escandalo, a acusações mutuas e a palavreado orgulhoso. Me preocupa o tipo de igreja imperial que estão construindo no Brasil. Falam tanto do catolicismo imperial, do qual também discordo, mas constroem seus próprios impérios com as mesmas vendas de indulgências que Lutero denunciou. A única diferença é que as "indulgências" de hoje não vendem o perdão e a salvação, ao contrário, são mais mundanas e vis, pois prometem um "investimento" em bênçãos e prosperidade.

Como é possível que denominações, ditas evangélicas, mas que têm seus "papas", seus objetos materiais de adoração idólatra, e que vendem bênçãos e prosperidade podem ainda ter a cara de pau de condenar o catolicismo em que se inspiram?

Claro que somos batistas e isso não é dos nossos arraiais, mas a algum tempo, temos pastores batistas encantados com o poderio de tais ministérios. Alguns disfarçam essa ambição com métodos de crescimento de igreja, outros posando de defensores da sã doutrina sem vivê-la.

No entando, temos esperança. Ainda existem batistas sinceros, e são muitos. Devemos orar por eles e vigiar muito. Não é a quantidade de pessoas sinceras que nos livra dos escândalos, apenas meia dúzia de privilegiados já faz o estrago. Oremos para que sempre nos consideremos servos em igualdade, que não tenhamos ambições exageradas de projeção pessoal, para que não acompanhemos os escandalizadores na sua guerra de mercado.


Marco Teles
B.el Teologia | Pedagogo
Casado com Lucimar