24/03/2012

Irmãos percevejos


Hoje, falando sobre o medo de minha esposa pelas baratas lembrei dos percevejos. Todo mundo mata barata, mosca, carrapato ou outros insetos incômodos. Ninguém mata percevejo. Quem já matou não mata nunca mais, pois ao ser esmagado exala um odor insuportável. Poderíamos dizer que o persevejo é o gambá dos insetos.

Num lance de hipertextualidade percebi que tratamos certas pessoas como percevejos. Leia os versículos abaixo.
O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros. Romanos 12:9-10
Foto: Wikipedia
O apóstolo Paulo faz essa advertência pois existe o perigo de grassar um amor fingido na igreja de Cristo. Todos nós estamos sujeitos a essa fraqueza e devemos evita-la. Pode ocorrer até meio inconscientemente mas não tratamos a todos da mesma maneira. Alguma vez você já evitou um irmão, ou mesmo o colocou para o canto enquanto falava com alguém um assunto que lhe parecia mais interessante? Claro que já. Somente hipócritas negariam isso. Somos humanos, por isso precisamos nos precaver de nossas fraquezas e não negá-las.

Paulo nos dá duas atitudes para superar nosso desdém involuntário: ser cordial com os irmãos e honrarmo-nos mutuamente. Ser cordial com os irmãos significa que mesmo não tendo uma grande intimidade com alguns irmãos devemos trata-los com respeito e amabilidade. Ninguém é obrigado a ter intimidade com todas as pessoas da igreja pois essa empatia é algo particular e que surge de forma imprevista por algum tipo de identificação, no entanto, não significa que devemos restringir nosso amor a um grupo ou "panela" como dizem alguns. As "panelas" existem em todo grupo humano e na igreja também podem ocorrer, mas a cordialidade é a disposição cristã de quebrar as panelas. É necessário que tenhamos disposição cordial com os irmãos para facilitar nossa identificação empática e irmandade.

As "panelas" costumam se autopromover, quase que uma troca de favores. Uma espécie de "corrupção santa" na preferência de uns a outros. Os irmãos mais humildes costumam ser os preteridos, mas não deve ser assim entre nós. A honra entre cristãos é exercida mutuamente com foco na dignidade e na espiritualidade. A honra para nós não pode ser um conceito de excelência aristocrática, mas sim um conceito de respeito, amor e reconhecimento do valor do próximo.

Vamos dar ouvidos ao conselho de Paulo. Não tratemos irmãos como percevejos, mas como pessoas que são dignas do amor de Deus e do nosso também, se somos imitadores de Cristo. Ah, se você se considera o persevejo, não se preocupe, todos nós já fomos percevejo alguma vez na vida. Ore pelos da "panela" para que se integrem, afinal, você tem o perfume de Cristo e não de percevejo. Que Deus nos abençoe!



Marco Teles
B.el Teologia | Pedagogo
Casado com Lucimar