23/02/2012

Pastorado como Status

A porta é Jesus
Tem grassado em nosso meio batista a ideia de que o pastorado é um status. Irmãos que sentem o chamado muitas vezes mudam a voz, as roupas, tornam-se normativos, robotizam-se para parecer que têm qualidades pastorais. Às vezes estendem isso a suas esposas ou namoradas também que vêm no fato de ser a companheira de um pastor uma espécie de responsabilidade singular, que requer sacrifício e pose.

Lembro de alguns irmãos, bem intencionados até, mas que levados por esse ranço cultural, meio provinciano, me disseram algumas vezes: "Você será pastor! Afinal, você tem postura pastoral"! Não sei até hoje o que é "postura pastoral" mas sei que postura é coisa de galinha poedeira e, aliás, até hoje não fui consagrado talvez porque tenha aberto mão do pastorado como status.

Pastorado não é status, é uma opção de servir. Quando lemos 1 Timóteo 3 vemos que as características de um pastor não são diferentes de qualquer outro crente. O que Paulo queria mostrar com aquelas características é que o pastor deve ser um crente verdadeiro como outro qualquer e não um suprassumo da cristandade. Todavia me parece que muitos estão buscando a figura de suprassumo, a figura pastoral cada vez mais torna-se um simbolo de status. Isso é perigoso.

Quando um irmão coloca sobre si uma responsabilidade maior do que os outros irmãos, subliminarmente diz que os outros não precisam se comportar como pastores. Isso é um erro, pois o comportamento de pastores e outros irmãos segue o mesmo padrão bíblico. A diferença é que o pastor tem a função de acompanhar as outras ovelhas para o Senhor do rebanho que é Jesus Cristo.

A figura de um pastor no contexto bíblico é bem diferente da atual. Um pastor dormia ao relento com as ovelhas, usava roupas simples que facilitassem sua aproximação e ação no rebanho, cuidava das ovelhas no colo até que sarassem, enfim era totalmente acessível ao rebanho de ovelhas fazendo do capim que elas comiam a sua própria cama.

O que vemos hoje é diferente. Ninguém quer responsabilidade porque "respeita" o cargo do pastor, ou as pessoas não se atrevem a buscar responsabilidade para não gerar um atrito de status.

É importante que amemos nossos pastores, mas não como meros administradores eclesiásticos, mas sim como irmãos nossos, que comem do "mesmo capim", que sentam nos mesmos bancos da igreja, que usam as dependências do templo como qualquer outro inclusive sem banheiro particular. Os pastores de ovelhas do tempo bíblico, que são a figura de referência, iam ao banheiro quase que no mesmo lugar das ovelhas excetuando o fato de terem uma pá para cobrir seus excrementos conforme a lei mosaica.

Tomemos cuidado para que o pastorado não vire uma classe social dentro da igreja, se é que já não virou, pois o apóstolo Paulo nos orienta em Coríntios que nenhuma parte do corpo de Cristo é superior a outra, não havendo distinção, porque dependemos uns dos outros para pregar o Evangelho e não somente manter uma organização religiosa estável.

  • Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Assim, pois, há muitos membros, mas um corpo. E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós. Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários; E os que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que em nós são menos decorosos damos muito mais honra. Porque os que em nós são mais nobres não têm necessidade disso, mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela; Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros. 1 Coríntios 12:18-25

Marco Teles
B.el Teologia | Pedagogo
Cursa pós em Ensino Religioso