27/02/2012

Pacifismo Espiritual X Batalha Espiritual

É bíblico que existe uma batalha espiritual nas regiões celestes, mas também é bíblico que Jesus já venceu, no entanto alguns esquecem que a batalha já está vencida e lutam constantemente, sem cessar até, para atender a uma doutrina que se formou por volta dos anos 90. É espantoso como as pessoas atualmente se dedicam tanto a combater o Diabo que não têm tempo para pregar o Evangelho de Jesus Cristo. Estudam até satanologia, doutrina de satanás, mas pouco sabem da soteriologia, doutrina da Salvação.

Se vivemos uma espiritualidade de luta, vivemos em ansiedade e Jesus não deseja que vivamos em ansiedade. Não existe guerra sem ansiedade de conquistar mais ou de obter mais vitórias ou até de ver uma demonstração de poder. A batalha espiritual até existe, mas nós não somos seres espirituais, somos seres corpóreos e devemos fazer nossa parte conforme mandamento do Senhor de ir e pregar o Evangelho.

A maior luta que podemos travar com o inimigo não é com orações longas e emocionais, mas é através da pregação do Evangelho. Muitas igrejas dedicam-se tanto à batalha Espiritual que já consideram a pregação do Evangelho algo acessório, dizem até que importa mesmo é "libertar o povo e não apenas pregação".

Nessa batalha, como em outras também se vive o medo do fracasso, pois Deus é soberano mas nós podemos cair a qualquer momento. Digo até que quanto mais lutamos, mais estafados ficamos e mais próximos da derrota. Entretanto, quanto mais anunciamos o Evangelho mais nos enchemos do poder de Deus. Afinal, o Evangelho é o poder de Deus. Quando o apóstolo Paulo diz que combatemos o bom combate (1Tm 1.18,19) ou contra hostes celestiais ele não se refere a uma linha de produção de exorcismos, mas a nossa luta interior para manter a integridade na fé em Cristo Jesus apesar das afrontas do mundo.

Mas existe alternativa para isso? Claro. Chamaria de pacifismo espiritual, isto é, não ficar procurando lutas para as quais o Senhor não nos destinou em essência. Pode até ser necessário expulsar um demônio ou orarmos por uma situação singular vez ou outra, mas isso não pode se tornar a essência de nossa vida espiritual. A essência do Cristianismo é o Evangelho da Salvação em Jesus Cristo.

Se nos embrenhamos demais em batalhas ficamos com marcas espirituais e psicológicas mesmo que honrados como veteranos de guerra. Todas as nossas oração acabam sendo vetero-testamentárias no sentido de buscar mais a lei do que a graça. Quando oramos pelos nossos inimigos ou perseguidores acabamos pedindo a Deus que "faça justiça", "destrua os laços", "desfaça todo trabalho", "envergonha meu inimigo". Você pode dizer que não, mas é assim que acontece.

Jesus nos manda seguir pregando o Evangelho e orando por nossos inimigos. Ah, talvez você pense que pedir para Deus "fazer justiça, destruir os laços" é uma forma de orar por nossos inimigos, mas não é a correta.

No Antigo Testamento a Revelação estava em progresso através da lei e dos profetas, eles pregavam a vinda de Jesus mas não entendiam plenamente, apenas confiavam em Deus. Quando Jesus veio tudo se completou de forma singular. A lei foi substituida pela graça, podemos acessar diretamente o trono de Deus através de Cristo. Deus é mostrado com amor e a batalha do Evangelho inclui orar por nossos inimigos também de uma forma amorosa.

Como assim? O cara quer me quebrar e eu tenho que orar para o bem dele? É isso mesmo. Se oramos por nossos inimigos pedindo o seu bem, a sua Salvação, o reconhecimento do amor de Deus, recebemos bênçãos de Deus e saimos da angústia da luta. Não saimos da angustia da luta porque deixamos de lutar, mas porque nos desarmamos e largamos o peso das nossas armas.

Lembro de novo, nossa batalha espiritual é por integridade no Evangelho e não por outro motivo. Para sermos integros no Evangelho precisamos orar pelos nossos inimigos desejando-lhes as bênças que desejamos para nós mesmos. A atitude de combatente espiritual não traz paz, mas a ação de ser pacifico e orar por nossos inimigos traz bênçãos sem medida.

Podemos usar a oração modelo do Pai Nosso para entender o tipo de oração que Deus quer que façamos por nossos inimigos:
- Que louvem a Deus que está no céu
- Que façam a vontade de Deus
- Que tenham o pão de cada dia e percebam que foi dado por Deus
- Que sejam perdoados de seus pecados e que aprendam a perdoar
- Que não caiam em tentação para não pecar novamente

Para terminar, afirmo que estamos a mais de uma década em "batalha espiritual" meramente metodológica e não lutamos como convém pois cada dia mais aparecem mais problemas. Vamos mudar de foco? Que tal ao invés de orar para Deus "queimar" aquele político antifamília, não pedimos que Deus o abençoe para que compreenda a importância do louvor, da vontade, da provisão de Deus? Quero convidar você a fazer orações pacifistas, eu mesmo já comecei, ore por seus inimigos com outra disposição. Se oramos pela paz teremos a paz, se oramos apenas para confrontar o mal estamos oprimindo a nos mesmos. Que Deus abençoe a mim, a você e a todos os nossos inimigos.