20/02/2012

Crente precisa de psicólogo?


Após ação ética do CRP contra a psicóloga cristã Marisa Lobo ressurge a ideia de que cristão não precisa ir ao psicólogo, que basta ouvir o pastor e seguir a Bíblia. Ressalvando que doenças emocionais precisam da atenção multidisciplinar inclusive de um psicólogo, especialmente cristão para que não incuta ideias pagãs ou imorais como se fossem terapia, de um modo geral, no âmbito da normalidade dos problemas humanos, podemos dizer que o cristão "não precisaria" ir ao psicólogo. Enfatizo "não precisaria" desde que seus pastores fizessem realmente aconselhamento pastoral.

Muitos pastores confundem aconselhamento pastoral como "consulta no gabinete do pastor", ora, isso é comportamento de consultório. Estamos condenando a psicoterapia mas usamos métodos dela para o aconselhamento. É óbvio que certos assuntos devem ser tratados em particular, mas o aconselhamento não deve ocorrer de forma profissional. Embora haja livros teológicos sobre aconselhamento pastoral com fundo psicológico é importante salientar que um pastor precisa ter total empatia e envolvimento com as ovelhas para poder aconselhar. O conselho sempre virá da interpretação correta da Bíblia e de muita oração, mas e a empatia?

Entendo que aconselhamento de gabinete não é aconselhamento se o(s) pastor(es) não visita todas as suas ovelhas mensalmente, não participa das comemorações e do luto de todos os membros, e se não está pronto a  ensinar como amigo e com amor. Um pastor não pode prescrever uma conduta como aconselhamento, mas deve ser aquele amigo que conforta com a Palavra de Deus ajudando as ovelhas a seguirem suas lutas firmes na Palavra de Deus. Infelizmente além da cultura de consultório temos a cultura de prescrição exatamente porque, em muitas igrejas, os membros só conhecem o seu pastor como pregador e nada mais.

Ser pregador apenas não é ser pastor. O pastor deve andar junto, trazer a ovelha para perto de si, fazer com que ela confie amorosamente na sua voz, mostrar-se como alguém confiável em quem se pode contar. Isso só é possível saindo do gabinete, mas a cultura administrativa organizacional as vezes ultrapassa a noção de misericórdia e igualdade.

Jesus é nosso maior exemplo de aconselhamento. Raras vezes precisou falar em particular com algum discípulo como a Pedro após a ressurreição, Jesus vivia o tempo todo com seus discípulos e isso não é figura só de "seminário teológico" mas é o modelo para a autoridade do aconselhamento pastoral. Para aconselhar é necessário conviver, para psicologizar pode-se manter distância. Tomemos cuidado para não psicologizar o aconselhamento pastoral, perdendo nossa autenticidade como conselheiros e, ainda por cima, condenando uma profissão devido a profissionais mundanos e porque não fazemos nossa parte.

Que Deus nos abençoe e nos ajude a admoestar um ao outro em amor.

  • A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração. Colossenses 3:16

Marco Teles
B.el Teologia | Pedagogo
Cursa pós em Ensino Religioso









Webgrafia:

Bíblia Sagrada. Almeida Corrigida e Revisada Fiel. Colossenses 3.16 Disponível em <http://www.bibliaonline.com.br/acf/cl/3/16+> acesso em 16/02/2012

Julio Severo. Conselho de Psicologia inicia um processo de cassação de Marisa Lobo perseguição religiosa. Disponível em: <http://juliosevero.blogspot.com/2012/02/conselho-de-psicologia-inicia-um.html> acesso em 13/02/2012

Espaço Gospel. Conselho de psicologia inicia um processo de cassação de Marisa Lobo perseguição religiosa. Disponível em: http://espaco-gospel-net.blogspot.com/2012/02/conselho-de-psicologia-inicia-um.html acesso em 13/02/2012