16/01/2012

Ministério compartilhado com a igreja

O apóstolo Paulo foi o maior pregador da igualdade entre crentes. Lendo a carta aos Filipenses vemos sinais claros desse contraste com as práticas partidárias e personalistas presentes e algumas igrejas. Vejamos o que Paulo tem a dizer sobre aqueles que procuram dominar a igreja às vezes jogando uns contra os outros e criando partidos. Há até alguns ministros que julgam que só eles são ministros, que seu jugo é naturalmente solitário e que ele detém a autoridade de arrastar e não guiar a igreja para onde deseja. O que Paulo nos ensina é diferente disso.

Quando Paulo dirige-se aos filipenses, sabe que entre eles há partidos, como entre os coríntios, por isso busca incluir igualitariamente a todos em sua saudação "a todos os santos em Cristo Jesus, inclusive bispos e diáconos que vivem em Filipos" (Filipenses 1.1). Isso pareceria estranho a muitos hoje em dia, pois temos "ordens" de iniciados que são considerados sumidades na igreja de Cristo por irmãos desavisados que acabam seguindo partidarismos. Um dos artificios partidaristas é posar de guardião da sã doutrina e dizer que com "pulso firme" colocará "ordem na casa". Não é assim, autoritariamente, que Paulo se dirige aos Coríntios ou aos Filipenses, mas com amor apelando à consciência. Se não temos consciência de nossa doutrina pelo ensino e diálogo, estamos sujeitos aos impositores de classificação entre crentes. Pastor e diácono são apenas funções de irmãos em Cristo, nada mais. Os "oficiais da igreja" são seguidos em amor se guiam em amor. Quando somos guiados ou tocados por esporas não estamos sendo tratados como ovelhas de Cristo.

Paulo reconhece que não é um ministro solitário mas que compartilha o seu serviço com todos os outros crentes pois sabe que as coisas que lhe ocorreram serviram para "o progresso do evangelho" (Fl 1.14) pois vários irmãos estimulados por seu exemplo ousavam "falar com mais desassombro a palavra de Deus". É interessante que na sua humildade Paulo reconhece que "tendes o mesmo combate que vistes em mim" (1.30), isto é, ele percebe que não é um solitário na obra de Deus pois não é autoritário. Quantos pastores solitários temos hoje em dia! Por que será?

Paulo compartilhava seu ministério e não se sentia solitário, ao contrário, combatia o partidarismo de líderes vaidosos que pregavam "a Cristo por inveja e porfia" entre outros que "o fazem de boa vontade" (Filipenses 1.15)

Paulo nos diz que não precisamos de policiamento religioso mas de pastoreio. Somos exortados a viver "por modo digno do evangelho de Cristo" , mesmo loge dos olhos de vigilantes que se entitulam pastores, pois ele nos incita a ser um só espírito quer "indo ver-vos ou estando ausente"  pois o importante é continuar "lutando juntos pela fé evangélica" (1.27) sem "partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo" e sem ter em vista "o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros" (2.3-4)

Paulo alerta em sua carta para que tenhamos cautela pois qualquer um de nós pode se tornar um líder autoritário e partidarista, muitos de nós até já fomos em algum momento, seja levados por palavras agradáveis ou pelo senso de que devemos obedecer ao homem como se obedece a Deus.  "Acautelai-vos dos cães! Acautelai-vos dos maus obreiros! Acautelai-vos da falsa circuncisão!" (3.2).

Paulo ainda estabelece que os autoritários e partidaristas não são a verdadeira igreja mas o corpo coeso em Cristo que mantém a igualdade fraterna entre irmãos. "Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne" (3.3)