29/01/2012

A divisão do povo de Deus

A divisão do povo de Deus sempre ocorreu em ambiente de mandância e autoritarismo. Infelizmente,nós batistas, temos seguido esse exemplo e deixado nosso princípio de governo democrático para algo cada vez mais oligárquico e comandante. A história de Roboão ilustra bem a divisão gerada pela mandância.

Após a morte de Davi Roboão sucedeu o trono de todo Israel (1 Rs 12.1-2). Aproveitando o novo governo, o povo cansado dos impostos do governo de Salomão pediu ao rei que reduzisse seus impostos (1Rs 12.3-5). O novo rei tomou conselho com os anciãos que aconselharam atender o pedido do povo para um melhor governo no futuro (12.6-7), porém Roboão deu ouvidos aos seus amigos da juventude que insistiram que ele deveria ser mais duro ainda com o povo e Roboão ouviu a mandância dos jovens e não a sabedoria dos anciãos (12.6-10), como resultado o povo partiu para construir outro reino, o reino de Israel, ficando apenas a tribo de Judá sobre o governo da casa de Davi. O autoritarismo de Roboão dividiu o povo de Deus.

O autoritarismo sempre gera partidos e divisões. Não é a toa que um pastor mandante gosta de dizer que está sendo perseguido em seu ministério e que precisa das orações dos irmãos que "amam a igreja". Pode até parecer um pedido piedoso, mas o que produz é uma formação de partidos dentro da igreja os pró-pastor e os anti-pastor. O interessante é que a oposição via de regra começa por um pastoreio marcado pela falta de diálogo, ou mesmo pela imposição e ordem. Claro que é difícil admitir isso, pedir desculpas sinceras que fiquem fora da ata da assembléia, e reconciliar-se com os irmãos. É mais fácil exercer poder e gerar partidos. Mas este não é o modo bíblico de pastorear e muito menos o modo batista de fazê-lo.

Os partidos geram fofocas e inimizades. Um irmão já não fala com outro, ou fica tentando saber quem é que está contra o pastor para "orar por isso" entretanto ninguém fica só na oração, nem mesmo o pastor que gosta de partidos.

Precisamos agir democraticamente para manter a união na igreja de Cristo, não uma união forçada mas uma união saudável , voltada para a comunhão em Cristo e não a identificação partidária. Que Deus nos abençoe para que fujamos dos partidarismo, ainda que preguemos contra eles e os vivamos na prática, pois nada separa mais o corpo de Cristo do que a contenda entre irmãos.