22/10/2011

Seminário Reconhecido

Outro dia ouvi um pregador formado em seminário liberal. Ele citava pensadores da educação e filosofia com propriedade e dando crédito aos teóricos, mas quando citou um versículo bíblico que registrava um ensinamento dito por Jesus ele disse apenas "alguém disse...". Estamos aprendendo teorias demais e Bíblia de menos em alguns seminários. É uma pena.

Este é um problema que se agrava com o reconhecimento dos cursos de teologia pelo MEC, pois ao reconhecê-los, o Estado fiscaliza a teologia mesmo que sob desculpa de embasamento didático. Lutamos tanto pela separação de igreja e estado na história dos batistas e agora queremos voltar atrás. Será que os doutores e mestres que ministram tais cursos, dos quais alguns são até adeptos de doutrinas estranhas, não perceberam essa intromissão? Será que nossos pastores e seminaristas estão tão preocupados com uma possível "inflação da oferta" de bacharéis em teologia que procuram garantir uma alternativa à concorrência?

Realmente, seminaristas precisam sair do seminário com um diploma para exercer uma profissão, mas esse diploma não deve ser de teologia. Seminários Bíblicos deveriam ater-se a formação confessional em teologia e passar longe do MEC nesse quesito, entretanto, faz-se necessária uma capacitação para o trabalho que seja de forma concomitante ao curso teológico.

Formação concomitante significa que ao mesmo tempo o aluno fará dois cursos. É difícil? É, mas quem precisa comer não rejeita jiló. Mais importante é manter o curso de teologia isento da ingerência Estatal e o curso concomitante seria só para os que precisam de formação e não para os já formados em outras áreas. É possível tal ação através de convênios com outras instituições de ensino a distância para graduações a nível de licenciatura em áreas afins como pedagogia, história, filosofia ou geografia, por exemplo,com isso se resguarda o curso de teologia em sua característica confessional e prepara-se o obreiro para sustentar-se de forma autônoma caso seja necessário.

O "mercado ministerial inflacionado" tem gerado desde a mandância até o distanciamento dos seminários do foco bíblico. Ao contrário do que se pensa, seminário evangélico não é para ensinar teologia no sentido lato, como mero pensar sobre Deus, mas deve-se ensinar no sentido estrito, ou seja, pensar sobre Deus através da Bíblia Sagrada como única regra de conduta e fé. Misturando teologia com reconhecimento do MEC criamos uma teologia secular que se opõe frontalmente a uma teologia bíblica.

Deixo claro que não sou contra a erudição em outras áreas de saber, ao contrário julgo-as necessárias e dignas, mas pela sua mundanidade humanista, contaminam a teologia que é âmbito da religião, quando deveriam manter-se nas universidades seculares.

Um seminário de teologia secular tenta ser imparcial, agradar a toda a clientela, seja qual for sua confissão. Isso é muito diferente de um seminário com teologia bíblica. A teologia bíblia é parcial, pois segue a Bíblia e não os teóricos disso ou daquilo. A parcialidade é fundamental na teologia bíblica pois a própria Salvação acontece a partir de uma condição que separa as pessoas em salvos, pela fé em Jesus e em Sua Palavra, ou em perdidos que seguem seus próprios pensamentos e desejos.

Que teologia queremos para nossas igrejas? A teologia secular ou a teologia bíblica? Infelizmente a teologia secular tem ganho muitos adeptos, mas ainda existem alguns "teimosos" em seguir a Bíblia, eu prefiro ser um desses e não um daqueles.