09/10/2011

A Propriedade da Função Pastoral

O dom pastoral não é um dom de chefia, mas de serviço, e esse dom não é exclusivo de um só individuo na igreja. Respeita-se logicamente, quem preside, mas este não pode arvorar-se de único pastor no rebanho pois isso leva ao domínio da igreja. Espanta-me como pastores biblicamente embasados tem dificuldades com a questão que já denomino de "mandância" na igreja. Servos fiéis, que interpretam primorosamente outros textos, se deixam levar por seus conceitos quando o assunto é o pastoreio através do domínio.

Criou-se a figura do pastor executivo que em algum nível está acima do rebanho, quando na verdade todos somos iguais. É de espantar que apenas pela posição de domínio pastores se julguem aptos a corrigir outros, igualmente pastores, por mera autoridade, sem fundamento bíblico sólido mesmo que aparentemente válido.

Segundo a lógica da argumentação um argumento deve ser válido, isto é, seguir certos padrões formais para ser considerado válido. Um argumento válido é aquele cuja forma indica que pode ser verdadeiro, mas não basta a indicação da forma é necessária a verificação da verdade. Muitos argumentos válidos nem sempre são verdadeiros. Após provado e aprovado um argumento pode ser considerado sólido pois tem a forma necessária e a verdade é confirmada. No campo da "mandância" carecemos de argumentos sólidos.

Atividade pastoral não é monopólio do pastor presidente, pois ela é um dom de Deus. É de espantar que alguns pastores presidentes tentem colocar sobre seu monopólio a propriedade e administração do dom em outros, como se a concessão e operação fosse dele "através da igreja" e não de Deus. Algumas vezes a insistência em tal monopólio demonstra apenas sua incapacidade de lidar com o compartilhamento do ministério e nada mais.

O próprio apóstolo Paulo foi considerado por alguns como um "apóstolo menor" ao que ele replicou aos coríntios "Porque penso que em nada fui inferior aos mais excelentes apóstolos" (2 Coríntios 11:5) ao próprio
pastor Timóteo o mesmo Paulo aconselha que ninguém o menospreze como pastor por ser jovem, numa sociedade onde a autoridade estava ligada à idade avançada. Ainda mais, Paulo diz para o jovem pastor Timóteo que não deveria ser menosprezado que persistisse "em ler, exortar e ensinar, até que eu vá" (1 Timóteo 4:12-13).

Será que a mandância executiva pastoral pode ser considerada bíblica perante esses exemplos? Você deve avaliar. Mas, lembre-se, um argumento não precisa ser somente válido, mas principalmente sólido na
verdade que é Cristo, inclusive, e principalmente, os argumentos que vos exponho. Deus nos abençoe!