29/08/2011

Mandância


Tenho exercitado o grego na tentativa de traduzir textos do apóstolo João. Já publiquei aqui a segunda e terceira carta de João. Não sou tradutor, nem capaz para tal, aliás, conheço só um irmão que talvez o seja. Entretanto fazendo um esforço ainda maior do que pessoas capazes fariam e reconhecendo minha limitação sigo tentando.

Nesse trabalho um texto chamou minha atenção, 3 João . O texto diz que Diótrefes desejava ter primazia entre os irmãos da igreja. A palavra usada não é traduzida por uma palavra só, mas por uma expressão, por isso resolvi procurar uma palavra que significasse o mesmo em português e encontrei "MANDÂNCIA".

Realmente existem muitos como o Diótrefes bíblico. São agarrados a posição na igreja, impedem que os membros falem sobre assuntos que não lhe interessam, constrangem os irmãos com sermões onde os erros maiores são vistos nos outros, e tudo isso para se manter no domínio do ambiente eclesiástico. Alguns desses são pastores. É a "ânsia de mandar" ou "mandância" que escolhi no Aurélio como sinônimo para a palavra grega que citei.

Temos mandões de todo tipo: o descarado que manda e praticamente diz que a sua vontade é a vontade de Deus, o político que enrola todo mundo para que façam o que ele deseja e ainda diz que é vontade de Deus, os inseguros que mandam e desmandam com desculpa de zelo pela Palavra mas na verdade temem perder o cargo, e ainda há várias combinações destes e de outros tipos possíveis.

A mandância nunca esteve tão presente nas igrejas quanto hoje, pelo menos a evangélica. Antigamente existiam mandões mas o contexto social era outro, era até admirado quem era mandão pois tinha "pulso firme". Os mandões de antigamente proibiam usar barba, cortar o cabelo, usar calça comprida, mandavam usar véu etc. Os mandões de hoje em dia são do tipo boa praça, zelosos, defensores da doutrina, mas só aparentemente, na verdade só desejam mandar ou mandam porque não admitem a possibilidade de ser substituídos. Penso que este é um problema da OBRIGATORIEDADE anti bíblica do ministério em tempo integral.

Se obrigamos os outros a tempo integral eles se sentirão no direito de nos obrigar também. Tempo integral, ou não, deve ser opção de cunho particular do pastor onde a igreja não imponha nada, pois senão encontrará não um pastor mas um chefe, ou um executivo da fé.

Fujamos da mandância em nossas igrejas para que cumpramos o que João nos ensinou, sempre com palavra de conselho e não de ordem. Os apóstolos orientavam com amor, hoje recebemos ordens, por isso tantos se rebelam e acabam fazendo o mesmo pois só conheceram a mandância.

Que Deus limpe nossos corações e igrejas da mandância travestida de piedade.