16/07/2011

Desertos e Reformas

Hoje quero destacar dois marcos, entre muitos, no ministério de Jesus que talvez compartilhemos com Ele: O Deserto e a Manifestação de não se vender pela Palavra.

A experiência de quarenta dias no Deserto, sendo tentado por Satanás, nos mostra como Jesus se aproximou de nossa condição humana para morrer em nosso lugar. Não seria obrigatório ao Senhor dos Senhores passar por essa situação, mas era necessário para nossa Salvação e Ele passou por isso porque nos ama. Se Jesus não se aproximasse tanto de nós, sendo Deus, alguém poderia dizer "Foi fácil, pois Ele era Jesus", que engano, Ele era Deus sim mas tomou forma de servo, sofreu como um servo, submeteu-se a nossas tentações, somente porque Ele sabia da importância do Seu ato de amor de morrer em nosso lugar como sacrifício vivo pelos nossos pecados.

Gostaria de Raciocinar que passamos por nossos Desertos pessoais. Não para substituir outros como o fez Jesus, mas para vencer nossas próprias tentações quando encontramos o Salvador. O que precedeu o ministério terreno de Cristo? O Deserto. O que tem precedido o ministério de muitos "pastores presidentes"? Às vezes o deserto, outras apenas ternos e aparência de santidade. A aparência não vence o Deserto, embora algumas pessoas nas igrejas pensem que sim, até preferindo um terno engomado a um sapato surrado em suas sucessões pastorais. E até dizem que é vontade de Deus. De fato o é, mas será a vontade soberana de Deus ou a vontade permissiva? Escolhemos o que Deus quer ou Deus, misericordiosamente, permite o que desejamos? Não nos cabe julgar, apenas indagar, mas há igrejas sofrendo. E muitas não tem coragem de admitir isso.

As igrejas sofrem porque ignoram o desempenho do possível pastor nas tentações do deserto, um deserto onde as vestes são rotas e a pele queimada. Muitos preferem olhar para as "vestes sacerdotais" e a "pinta de pastor" de quem talvez passou uns dois ou três dias no Deserto, mas foi logo encaminhado a uma comissão de sucessão pastoral por algum amigo influente na denominação.

Seria ótimo se a marca inicial dos ministérios, o critério mais importante a ser avaliado, fosse o deserto das tentações teológicas. Não é qualquer Deserto, pois todos temos nossos Desertos, mas passando pelo deserto a velha pessoa que somos fica para trás, permitindo somente que o novo homem entre na terra prometida. Não que a terra prometida seja uma maravilha de tranquilidade, ao contrário, mas quem suporta o Deserto suportará qualquer coisa.

Outro marco importante num ministério é a Manifestação Pública de não se vender em zelo pela Palavra. Jesus nos deu exemplo expulsando os vendilhões do templo duas vezes, no início de seu ministério e na última semana de seu ministério terreno. O exemplo de Jesus nos mostra que esta Manifestação Publica não é só uma declaração, é uma ação. Muitos pastores, batistas, batem no peito com orgulho de ser irrepreensíveis no zelo pela Palavra, mas quando algo ocorre que possa ser inconveniente tomar uma decisão mais séria, apenas buscam conselhos para consertar o problema, ou talvez remendar.

Muitos que se dizem irrepreensíveis fazem vistas grossas a manipulações de todo tipo que poderiam ameaçar seu cargo, ou carreira pastoral. Infelizmente ser pastor está virando carreira, haja vista a intromissão do Estado nos Seminários Teológicos através do MEC. Para quem não sabe, para ser reconhecido pelo MEC, o Seminário precisa obedecer certas regras e aceitar fiscalização do mesmo, mesmo que limitada por certos princípios, mas já é fiscalização Estatal da religião e do que pensam os pastores. Certo que este é outro assunto, mas serve bem de exemplo. É melhor, para alguns, fazer vistas grossas a intromissão Estatal e ter um diploma de Curso Superior do que esforçar-se um pouco mais, fazer até um curso concomitante, do que ser coerente com princípios batistas.

Claro que muitas igrejas tem sua responsabilidade. Jogam o seminarista no Seminário e deixam pra lá. Mas é necessário já no início do ministério não comercializar, ou negociar, com nossos princípios. Por mais tentador que isto seja.

Jesus também expulsou os vendilhões no final de seu ministério. Isto demonstra que sua disposição não mudou. Mas há entre nós os que mudam de posição, que negociam suas crenças, mesmo entre outros pastores porque será mais conveniente acochambrar algo do que dar "prejuízo à denominação". Ora, será que a denominação não preferiria corrigir erros do que maquea-los? Se a denominação prefere o segundo caminho, alguém ou alguns, não mantiveram sua posição inegociável de zelo pela Palavra de Deus.

Como passamos pelo Deserto do ministério? Qual o nosso compromisso atitudinal com o zelo pela palavra? É uma pergunta que devemos responder cada uma a si.


BIBLIOGRAFIA

Biblia Sagrada, ACF, Mateus 4.1-11; Marcos 1. 12,13; Lucas 4.1-13.
Bíblia Sagrada, ACF, João 2.13-25.
Bíblia Sagrada, ACF, Mateus 21.12, 13, 18,19; Marcos 11.12-19; Lucas 19.45,46
BUCKLAND, A. R.Verbete: Jesus Cristo in Dicionário Bíblico Universal. Editora Vida, Florida, 1981.