22/06/2011

Ética da fofoca

Quando alguém diz que ouviu uma informação, não se sabe de onde, não se sabe de quem, entendemos que é uma fofoca. Geralmente é um fofoqueiro ofendido quem se opõe mais ferozmente à fofoca, às vezes até no púlpito. Quando seu pastor começar a proibir uma fofoca especifica perante a igreja, tenha certeza que ele também estava fofocando.

Quando há uma alegação contra o outro a autoria deve ser declarada e buscada a solução na frente de duas ou três testemunhas conforme nos indica Mateus 18.16. Afirmar que não vai dizer o nome dos envolvidos por uma questão de ética, é, na verdade uma autoafirmação autoritária de sua intocabilidade. E tal afirmação não é ética.


Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada. Mateus 18.16

Aliás, ética pastoral é uma coisa da qual todo mundo fala, mas que ninguém sabe o que é. Quer confirmar? Faça uma pesquisa entre irmãos da igreja sobre o que eles sabem acerca de ética pastoral e notará uma certa ignorância, que pode variar conforme cada igreja. Na verdade a prática de ética não se normatiza por nada, o que tem valido acima de tudo é o tal "consenso" entre os líderes envolvidos.

A ética tem sido desculpa para deturpar a democracia batista em oligarquia partidarista, onde quem indica escolhe os partidários e consequentemente estabelece a ética política, seja no campo da igreja local ou denominacional.

Os portadores dos conselhos éticos são os relatores de comissões. Geralmente irmãos em Cristo menos experientes e bem queridos na comunidade são os escolhidos. Pois estes demorarão para perceber a manipulação consentida de uma comissão que não quer assumir o papel de porta-voz de uma ética que não entendem. E até não concordam, mas foi o "ungido" que orientou assim.

Esse intrincado relacionamento entre ética e fofoca às vezes ganha status de "revelação". Conversava hoje com um irmão que recebeu uma revelação em uma igreja onde fora convidado. Ele disse que ficou impressionado apesar de não ser pentecostal. Perguntei se alguém mais além dele sabia de sua enfermidade, ele informou que somente sua família sabia. Pronto. Eis o início. Bastava apenas que algum parente comentasse com um vizinho, ou outro crente, para que a informação entrasse na rede. A tal revelação seria apenas uma questão de sutilezas e contatos adequados.

Isto mostra que, infelizmente, não há diferença ética entre batistas e neopentecostais. A diferença está somente na apresentação, na embalagem. Será que podemos continuar assim?

Alguém pode pensar que estou louco, mas não estou. Imagine a situação batista. Teoricamente, a igreja é livre para escolher o pastor que desejar e, também, decidir quando não o quer mais. Teoricamente, o pastor deixaria seu ministério naquela localidade e ESPERARIA a convocação de outra igreja da mesma fé e ordem.

Na realidade, um pastor tem um curriculo muito pobre. Ou ele é pastor ou não lhe darão emprego de mais nada. Eis um problema do ministério integral. O pastor não deseja passar fome com sua família, mas ele é muito santo para adimitir isso. A melhor solução para resolver isso é a ética política. Se o problema do pastor não for doutrinário, ele poderá "eticamente" se manter no EMPREGO.

Desculpem se escandalizo, mas o ministério em tempo integral torna-se em EMPREGO. E ninguém quer perder um emprego, especialmente se pode dar ordens e ser admirado, ou até, temido.

Quantos pastores deve ter uma igreja? Devemos ter pastor presidente? Devemos ter pastores auxiliares? Devemos ter auxiliares de ministério? Quanto cada um merece de salário?

A igreja deve ter tantos pastores quantos forem necessários para atender bem ao rebanho. A presidencia cativa é uma forma de impor primazia sobre outros. O cargo de presidente deve ser rotativo num conselho de ministros e diáconos. Se não há primazia, não há auxiliares, todos são iguais, e recebem igual. Apegar-se à presidência é apegar-se ao salário. Apesar de presidência não ser um cargo remunerado, e se for, é bom e justo que todos os diretores sejam remunerados também. Quem não pode ser presidente indefinidamente, procura emprego.

É importante que os pastores de uma igreja tenham empregos seculares para que não se isolem da realidade dos membros - às vezes aconselhando mal -, para que não se vejam dependentes economicamente da igreja, ou pior, percebam que a igreja é sua única e concreta fonte de renda.

Essas sugestões não eliminam todos os problemas éticos, mas eliminam alguns e nos preparam para reconhecer e lidar com outros problemas. Se simplesmente negamos problemas, somos hipócritas. Precisamos assumi-los, reconhecer nossos erros para corrigi-los. Negar nossas falhas é torna-las cada vez maiores.

Porque você acha que há tantos apologetas ortodoxos, porém prolifera o comércio na igreja? Porque muitos procuram realizações, e sustento, na politica anti-ética da hipocrisia. Se você não é um destes, não se cale, e faça o que deve ser feito para que a palavra prevaleça e não a cobiça destes inconscientes ou inconsequentes agentes de promoção da iniquidade.

WEBGRAFIA
Bíblia Sagrada, ACF, Mateus 18.16. Disponível em: http://www.bibliaonline.com.br/acf/mt/18/16+ acesso 22/06/2011

Wikipédia: Hipocrisia. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Hipocrisia  acesso: 22/06/2011

REZENDE,Tomáz de Aquino. Remuneração de Dirigentes de Entidades Sem Fins Lucrativos. Disponível em: http://www.fundata.org.br/Artigos%20-%20Cefeis/13%20-%20REMUNERACAO%20DE%20DIRIGENTES%20DE%20ENTIDADES%20SEM%20FINS%20LUCRATIVOS.pdf Acesso: 22/06/2011

ARNS, Flávio. O Novo Código Civil e as entidades sem fins lucrativos: adaptações do estatuto. Disponível em http://www.senado.gov.br/senadores/senador/FlavioArns/docs/livreto_codigo_civil.pdf acesso: 22/06/2011

Rosas, Vanderlei de Barros. Afinal, o que é ética? Disponivel em: http://www.mundodosfilosofos.com.br/vanderlei18.htm Acesso em 25/06/2011