25/05/2011

Santos ou perfeitos?



Existe um costume entre cristãos de negar a própria errância. Alguns fazem isso como uma forma de confirmar sua santidade ou mesmo para satisfação à igreja como grupo. Errância é a tendência humana em errar. Se você não erra, não é humano.

Claro que Deus é inerrante, assim como sua Palavra. Nosso alvo é Cristo, temos Ele como nosso padrão, mas lembremos que Cristo é O padrão, a matriz da qual somos imitações. Paulo nos diz para ser imitadores de Cristo. Ser imitador de Cristo é o alvo da santidade. Como nenhuma imitação iguala-se ao padrão, ou matriz, enquanto estamos neste mundo somos imitações imperfeitas de Cristo. Mas nos esforçamos para imitá-lo, para ser cada vez mais parecidos com Ele.

Há quem use o versículo 10 de Jeremias 48 para justificar uma inerrância do crente. O versículo diz o seguinte: "Maldito aquele que fizer a obra do Senhor negligentemente, e maldito aquele que vedar do sangue a sua espada!". Claro que usam apenas a primeira parte, afirmando que reconhecer sua errância é ser relaxado na obra de Deus. Essa é uma análise simplória e que conduz ao erro, mesmo daqueles que o declamam como divisa da alegada inerrância cristã.

O capítulo 48 de Jeremias é um juízo de Deus contra Moabe que se opôs a Israel e se satisfez com isso em determinada ocasião. Para analisar o versículo 10 devemos entender que o juízo viria a Moabe pela espada. O versículo afirma que aquele que viesse com espada contra Moabe não deveria ser negligente, isto é, deveria ser implacável. Portanto o versículo não tem nada haver com inerrância.

Mesmo no Antigo Testamento, sob a severidade da lei, Deus reconhecia o pecado por ignorância. Este tipo de pecado tinha seu sacrifício próprio e referia-se a um pecado que se desconhecia se foi cometido ou não. Portanto, mesmo na lei mosaica, era reconhecida a errância humana, especialmente do Povo de Deus.

Então se somos pecadores, se erramos por natureza, não tem jeito? Se erramos tanto não podemos viver em santidade? Claro que tem jeito! Claro que podemos viver em santidade!

O evangelho não se baseia em perfeição humana, mas em arrependimento e confissão de pecados. Claro que ninguém precisa confessar seus pecados a outro homem, somente a Deus, mas também não precisamos nos rotular de impecáveis ou inerrantes. O mais coerente com o Evangelho é reconhecer nossos pecados e nos arrepender perante Deus a cada dia no processo de santificação. Se alguém diz que não tem pecado mente e chama a Deus de mentiroso (I João 1.9).

Irmãos e amigos, o que importa para Deus não é sua capacidade de acertar sempre, mas a sua disposição consciente para arrepender-se perante Ele. Não permitamos que escarneçam do Evangelho afirmando ideias que não estão na Bíblia, mas sim em nossas cabeças, acostumadas com o conceito católico de santidade como um grau reservado a poucos milagreiros mortos.

Que Deus nos abençoe e que tenhamos sempre a disposição para pedir perdão a Ele tantas vezes quantas forem necessárias, pois a conversão para a Salvação é uma só, mas o arrependimento é uma prática da santidade.

A Biblia Sagrada. Contendo o Velho e o Novo Testamento: Traduzida em Portuguez segundo a vulgata latina por Antonio Pereira de Figueiredo. Velho ... Genesis - Paralipomenos (Portuguese Edition)A Biblia Sagrada. Contendo o Velho e o Novo Testamento: Traduzida em Portuguez segundo a vulgata latina por Antonio Pereira de Figueiredo. Velho ... 2. De Esdras - Malaquias (Portuguese Edition)