29/03/2011

A oração do fariseu

"Senhor, agradeço por ter me dado lábios de erudito para ensinar à sua igreja...", essa foi a oração de um "apóstolo doutor professor bispo" da televisão.

Todos sabem que tais indivíduos possuem grande soberba, que julgam-se possuidores de uma alegada revelação especial, que aponta e condena como os fariseus do tempo de Jesus.

O orgulho de tal 'apóstolo doutor bispo etc' é bem conhecido, porém, há uma coisa a seu favor: ele não esconde seu orgulho de se considerar o supra-sumo de sua denominação. Ele declara seu orgulho escrachadamente. Então qual é o problema? O problema somos nós, que nos tornamos igualmente fariseus.

Nós batistas, ou evangélicos ortodoxos, procuramos demonstrar humildade, e devemos fazê-lo, mas não de forma hipócrita.

Quem é pior? O orgulhoso hipócrita que conduz os outros sutilmente a considera-lo uma sumidade, ou o orgulhoso descarado? O orgulhoso descarado terá seguidores como ele, porém conscientes. O orgulhoso hipócrita terá seguidores conforme seu ensino, porém inconscientes da manipulação.

Por muito tempo ouvi dizer que neo pentecostais manipulam pessoas e até acreditei que eram só eles. Alguns entre nós se arvoram de não fazer isso de forma nenhuma, afinal, somos "melhores que os neopentecostais". Criticamos os marqueteiros religiosos e nos gabamos de não usar tal prática. Como temos sido orgulhosos! Até eu, como se fosse novidade...

Fazemos marketing religioso quando nos orgulhamos de não ser como nosso oposto. Dizemos que não estamos fazendo marketing, e até execramos os profissionais dessa área como não confiáveis. Entretanto, muitos pastores batistas e ortodoxos de um modo geral fazem o Marketing Reverso.

Daniel Corradini no seu blog Caos de Marketing define o marketing reverso como "ao invés de empurrar um produto para seu público alvo, faz-se com que ele se interesse pelos produtos da empresa através de alguma técnica de convencimento discreta", infelizmente é isso que
estamos fazendo.

Quando dizemos que não fazemos o que os outros fazem, e pior, sequer admitimos que podemos errar como ministros ou como igreja, estamos atraindo as pessoas pela gabação de nossas qualidades como igreja.

Nenhuma igreja deve se gabar do que é, pois tal gabação leva ao domínio sobre o próximo, que é demonstrado em grupos oligárquicos ditos democráticos. Se fazemos o bem, não fazemos mais do que
obrigação. Como um servo pode se gloriar de ser bom servo, se a glória é do Senhor?

Isso não significa que nos acomodemos ao padrão 'apóstolo doutor bispo etc', ao contrário, nos desviamos dele. Quando reconhecemos nossas falhas, quando não aceitamos exaltação desnecessária, quando não eliminamos 'concorrência' dentro da igreja, quando não nos fazemos de mártir para angariar simpatia e manipular a igreja a nosso favor, somente aí, e somente mesmo, poderemos falar sem marketing religioso, como o publicano que orava atrás do orgulhoso
fariseu no templo: 'Senhor, tem misericórdia de mim pecador'.

WEBGRAFIA:
http://caosdemarketing.blogspot.com/2010/06/marketing-reverso.html
http://www.teusmapress.com.br/marketing-reverso/
http://dicionariodemarketing.powerminas.com/dic_marketing_m.htm