06/02/2011

Principios ou Principados

Outro dia li uma revista velha. Era uma entrevista sobre economia onde o entrevistado defendia algo que todo mundo já sabe, mas ele foi bem feliz em definir: um país só se desenvolve com instituições fortes. Citou o exemplo dos EUA e outros países de identidade cultural e moral fortes.

Não devemos confundir as instituições referidas aqui com associações ou institutos organizados como pessoa jurídica, isto é, algo como uma empresa ou associação sem fins lucrativos. Não é isso. O autor se referia as instituições que formam os valores de uma sociedade, como a idéia de uma política honesta como regra para todos, coisa diferente da idéia de política malandra, da política da esperteza.

Podemos fazer uma alusão entre países e igrejas nesse sentido. Atualmente pregamos muita doutrina até, e isso é bom, mas deixamos de lado a ênfase nos princípios, especialmente nós batistas. Princípios são idéias como igreja de governo democrático, total separação entre igreja e estado. Temos fugido desses e de alguns outros principios eventualmente. Lembre que os principios batistas são fundamentados na Bíblia através da vivencia histórica da igreja, e não mera invenção humana.

Mas qual é o perigo? Com princípios intituidos fortemente somos fiéis a Deus através dessas idéias que sintetizam de forma objetiva os valores bíblicos , caso contrário, fundaremos nossa fidelidade a Deus no carisma de nossos líderes, pois o que se torna objetivo uma pessoa ou um principado e não valores comuns de diálogo. Os princípios servem para mediar o diálogo entre os servos de Deus. São os princípios que impedem que surjam os principados que atualmente se apossam das igrejas.

Você tem medo de falar alguma coisa em sua denominação ou igreja, pois a reação seria de oposição? Você não sabe porque tem esse medo? Resposta: isso é um sinal claro de que não há princípios estabelecidos claramente para o diálogo, mas sim a mera autoridade humana.

Poderíamos dizer que amar ao próximo é um principio. Claro que também é um mandamento, mas para ímpios que não obedecem aos mandamentos é apenas um principio. Um ímpio pode concordar com alguma afirmação onde o amor ao próximo é fundamental para relacionamentos, mesmo que de maneira hipócrita. Ninguém precisaria impor um argumento sólido e convincente que envolvesse o amor ao próximo, pois esse principio é fundamental para certos diálogos. Como exemplo, vemos a solidariedade com vítimas de catástrofes que envolvem em ação comum justos e ímpios.

Quando não conseguimos dialogar nas igrejas e temos medo de autoridades eclesiásticas é porque faltam principios e prevalecem os principados. É muito importante conhecer e entender os principios que regem a nossa fé, pois a democracia em si não basta. A democracia na igreja, e em nenhum outro lugar, se sustenta sem principios definidos, importantes para todo o grupo e compartilhados.

Queremos igrejas de principios ou de principados? Antes de decidir conheça os principios batistas, se for um deles, para que a mediação das idéias não passe apenas pelas articulações de sumidades, mas pelo consenso do que é justo entre todos.