24/02/2011

Estresse pastoral

Pastores se estressam. Alguns com mais frequência do que outros. Porém há uma mania entre os vocacionados de não mostrar suas fragilidades, talvez com medo de serem mal avaliados pela própria igreja que vivem regulando.

Os pastores estressados reguladores, estão sempre precisando de folga ou de prorrogação de férias. Isso é sinal de que algo não vai bem no campo da saúde mental do ministro. Nessa hora é necessário sair do pedestal do orgulho de querer ser exemplo perfeito para a igreja, e procurar ajuda profissional.

Muitas igrejas sofrem com as doenças mentais não admitidas de seus pastores. Eu não sou muito certo da cabeça e todo mundo sabe disso, mas também não sou pastor nem tento mostrar uma estabilidade e infalibilidade que não tenho. Quem nos sustenta é Cristo, e não nossa posição ministerial, devemos reconhecer isso humildemente e não nos arvorar no orgulho de não mostrar fragilidade.

Há pastores que dominam suas igrejas, fazem delas seu próprio curral eclesiástico, como uma tentativa de criar, às custas da igreja, a perfeição que idealizam para si. Igrejas onde os pastores agem dessa maneira, não há consenso entre ministros, salvo quando são da própria família, e olhe lá. Geralmente tais ministros controladores tem facilidade para rotular outros irmãos como ameaça à igreja, quando a ameaça está em seu próprio interior.

Conheci um pastor que vez por outra mandava vigiar e regular um irmão ou outro. Ficava sem graça sem saber o que fazer, afinal era o pastor... Mas esses pastores orgulhosos, assim como não assumem suas fraquezas, também não assumem as ordens conflituosas que dão. Geralmente o problema fica na mão dos outros enquanto ele se esquiva procurando se fazer de vítima e conciliador perante a igreja, após o estrago que ele mesmo provocou. Acredite, é melhor abandonar este tipo de ministro mandão, mas nunca abandonar a Cristo.

Mas isso não é incurável. Pastores humildes são bênção para a igreja. Com pastores humildes todos se realizam nos ministérios, a igreja sente-se feliz, ninguém é rotulado de ameaça, e a obra de Deus anda realmente. Igrejas com pastores humildes crescem em excelência, pois seu modelo é Cristo e não "sumidades teológicas".

Para os aparentemente orgulhosos pela saúde mental comprometida existe a ajuda de profissionais que podem ajuda-lo, se for capaz de admitir que precisa de ajuda. Porém, se não é capaz de admitir sua necessidade de ajuda por ter uma personalidade realmente orgulhosa, a igreja sofre sob seu domínio castrador, e ainda sofre por se sentir culpada de fazer seu pastor "sofrer tanto".

Invariavelmente isso vai levar a uma série de licenças e férias esticadas que nunca resolvem o estresse pastoral e que continuam alimentando uma situação parasitária, que não permite que a igreja cresça com autonomia e realização de todas as suas potencialidades, pois sempre estará limitada por uma ética e democracia que não existe.