07/11/2010

Salário Dobrado

Vários obreiros têm conversado comigo sobre a hierarquia salarial nas igrejas batistas. Hoje, ouvi também comentário semelhante na escola dominical. Reclama-se que pastores presidentes tem uma paga muito superior aos auxiliares que também desempenham função pastoral. Note-se que função pastoral é pregar e ensinar conforme Mateus 28.20, portanto inclui-se a Educação Religiosa e o Ensino pela Música Sacra em funções pastorais.

Há casos em que alguns passam por necessidades em seus ministérios, enquanto outros têm fartura. Essa atitude, socialmente, se assemelha à dos coríntios durante a ceia, conforme as palavras de Paulo:

"Porque, comendo, cada um toma antecipadamente a sua própria ceia; e assim um tem fome e outro embriaga-se" (1Coríntios 2.21)

As palavras de Paulo servem não só para a ceia mas para todas as áreas do convívio entre cristãos. Destaco especialmente o convívio ministerial.

Há indícios de que as igrejas do Novo Testamento tinham mais de um pastor em condições semelhantes. Exemplo disso são as palavras de Paulo a Timóteo dizendo para que ninguém desprezasse sua mocidade. Desprezar a mocidade, ou preterir um pastor como Timóteo, seria normal para a sociedade da época onde a maioridade era alcançada aos 30 anos entre judeus, ou somente após a morte do pai, com qualquer idade, entre romanos. Mesmo que fosse normal e todos fizessem assim, Paulo mostra que não deve existir diferenças entre ministros.

Os ministros da igreja devem trabalhar em colaboração, nunca em sistema de chefia. Nós adotamos esse procedimento cultural e historicamente, como os batistas do sul dos Estados Unidos que fumam e bebem. Nós escolhemos um caminho mais bíblico que o dos primeiros missionários, baseado no amor ao que tem fraqueza e na mordomia do corpo como Templo do Espírito Santo. Não fumamos nem bebemos (tomara!), mas achamos normal e incentivamos que um ministro tenha fartura e outros, na mesma igreja, tenham necessidade.

Como já disse não há diferença entre os ministros portanto não deveria haver tanta discrepância quanto ao sustento. Alguns alegam que o pastor presidente tem responsabilidades que outros não têm e por isso deve ganhar muito mais. Errado. A presidência da igreja, como de qualquer associação sem fins lucrativos, não pode ser remunerada. Se há problema quanto à carga de responsabilidade, num sistema de colegiado de ministros igualmente responsáveis, a presidência pode revesar entre eles sem alteração de sustento.

Mas, há ministros que dedicam mais tempo, até mesmo integral. Vejamos, novamente com Paulo o que nos recomenda a Bíblia:



"Os presbíteros que fazem um bom trabalho na igreja merecem pagamento em dobro, especialmente os que se esforçam na pregação do evangelho e no ensino cristão" (1Timoteo 5.17)

A Bíblia não é injusta. Reconhece esforços e necessidades. Mas, a maior paga é o dobro da menor. Não várias vezes o valor da menor, mas apenas duas vezes maior. Isso mostra também que cada igreja deve estabelecer um valor de referência para todos os ministros, dobrando apenas nos casos biblicamente recomendados.

Alguém poderia argumentar "você não quer que pastores ganhem bem" ou "você é um inimigo dos pastores", outros mais materialistas diriam "você está com inveja dos que ganham bem". Falso. Sou amigo de todos os pastores, quem tem inveja quer o lugar do outro para si e não pensa em compartilhar os méritos e créditos, e gostaria que todos os ministros fossem bem reconhecidos pelas igrejas de forma bíblica e não meramente administrativa, para que ninguém fique preterido.

Poderiam também argumentar que deveriamos definir o valor pago para o grupo de ministros como o dízimo dos dízimos, como era costume no Antigo Testamento (Neemias 10.38). Não é o caso, pois no tempo da lei toda nação de Israel ofertava, nossas igreja não são estatais, vivemos sob orientação principal do Novo Testamento, portanto, cada igreja deve decidir o quanto destinará aos ministros com misericórdia e de acordo com a realidade sócio-econômica de sua região.

Não sei se os pastores e ministros que reclamam nos bastidores eclesiásticos teriam coragem de concordar comigo publicamente. Com certeza isso mexeria no bolso de muitos e alguns não ficariam satisfeitos. Que Deus dê sabedoria às nossas igrejas para administrar com sabedoria e amor àqueles que lhes servem.