02/11/2010

Presidente ou presidenta?

Eu sou uma besta em português. Talvez por isso eu não entenda a regra que estabelece feminino para a palavra presidente. Ora, se há presidente e presidenta, deverá haver docente e docenta, discente e discenta, indescente e indescenta, excelente e excelenta. Ah, tem que ter também dente e denta! Mas como eu disse, eu sou burro.

Mas regras gramaticais a parte, a formação da palavra deve ter uma influencia mais politica e social do que exatamente teórica, mesmo que tenha. Ao usar o termo presidenta estabelece-se o espaço sexista feminino num espaço até então sexista masculino. Nada mais que isso, mas tal simplicidade mostra a complexidade das palavras que ultrapassam a mera gramática, ou até intelectos obtusos como o meu.

Focando o assunto em palavra, a Bíblia Sagrada tem uma locução repetida diversas vezes "veio a mim a Palavra do Senhor". Eu estava preocupado com o termo presidenta, quando deveria estar preocupado com a Palavra do Senhor que vem a nós para transformar nossas vidas.

A Palavra de Deus não é mero artifício de demarcação de território, é mais. A Palavra de Deus nos mostra como fazer sua vontade e o quanto estamos distante de cumpri-la por competência pessoal ou particular.

Podemos marcar o território com palavras de diferentes maneiras. Os mais simples espantam-se com vocabulário rebuscado. Se dizemos que "o interregno da privação da interrelação socio-individual nos constrange", pode ser que alguém ache isso mais interessante do que simplesmente dizer que sentimos saudade. Não são só os políticos que agem assim, alguns pregadores (e batistas!) gostam dessa baboseira. Enfeitam uma placa vazia que não indica lugar nenhum mas que espanta pela engenhosidade. A Palavra de Deus não é assim!

Jesus e os profetas usaram palavras simples, que o povo de sua época entendia muito bem. Não podemos afirmar que a Bíblia é um livro difícil só porque não entendemos particulares da cultura em que foi produzida por Deus que usou em seus servos o melhor da expressão de cada um. Talvez aí se justifique um "presidenta" como palavra facilmente digerível, entretanto, a Palavra de Deus é simples mas nem todos estão preparados para assumi-la e assimila-la. É mais fácil assimilar um palavrão que ouvimos de primeira. Não é de fato?

A Palavra de Deus não nos acomoda aos nossos interesses mas faz com que busquemos mudar o que não queremos mudar, mesmo precisando. O pecado é como uma droga e o pecador como um drogado. De tão acostumados ao pecado não ouvimos os apelos do Único Deus que pode nos libertar desse vício. Aliás, o pecado é o vício dos vícios. Deus é o Senhor dos senhores, o Mestre dos mestres, o Salvador de quem não pode salvar nem a si, nem ao outro.

A Palavra de Deus não é nossa palavra. Nossas palavras são jocosas, estranhas, ou mesmo se belas, enfatuadas. A Palavra de Deus é que nos dá entendimento para viver sabendo que pertencemos a Deus. Não precisamos de retórica para dizer que pertencemos a Deus. Precisamos de humildade e conversão. O que temos feito? Estamos preocupados com as declinações das palavras, ou estamos deixando que a Palavra de Deus molde a nossa vida? Vou pensar mais nisso. Pense também.