09/11/2010

Piedosos sem Cristo

Parlamento Religioso Mundial
Participei de estudo bíblico outro dia, onde questionávamos a validade de nos opormos em termos conceituais e bíblico àqueles que adoram imagens mas dizem-se cristãos. Conversávamos sobre o fato de tais pessoas serem extremamente piedosas, e inclusive cristãs. Que talvez eles fossem para o céu e coisas assim. Afinal eles seguem a Bíblia e fazem boas ações - concluímos.

Mas logo veio à discussão a piedade de outro grupo religioso. Também seguiam a Bíblia e fazem até mais boas obras do que os primeiros. Atualmente, transmitem programas de rádio que se parecem cultos batistas. São impecáveis na homilética, que é a arte de pregar sermões, e ainda baseiam seus ensinos nos evangelhos. Ora, se os que adoram a ídolos devem ser aceitos como salvos, por que não aceitar os que consultam os mortos? Afinal, cada um segue a Bíblia à sua maneira e são ricos de boas obras. É óbvio que o leitor, biblicamente consciente, percebeu a falácia desse raciocínio.

Já sabemos que boas obras não salvam. Precisamos aprender que seguir a Bíblia conforme preferimos também não salva. Como podemos seguir a Bíblia praticando atos religiosos que são contrários a todo o seu corpo de doutrina? Só poderíamos fazer isso se considerássemos a doutrina irrelevante. Considerar a doutrina irrelevante é considerar a Bíblia irrelevante. A doutrina bíblica nada mais é do que a organização de todo ensino bíblico de forma sistemática. Se ignoramos a doutrina, temos um ensino desorganizado passível de aceitar qualquer prática apenas por ser piedosa. Prática piedosa não salva ninguém.

Os fariseus do tempo de Jesus eram os mais piedosos da época. Os fariseus também estavam entre os que levaram Jesus à morte. Os piedosos para o mundo eram opositores de Cristo. Devemos tomar cuidado para não julgar com foco na piedade, que é externa e acessória, mas sim com foco na doutrina bíblica.

Alguém dirá: "Esse cara tá mandando a gente julgar! Isso é contra a Bíblia!" Calma! Nós julgamos o tempo todo e chamamos isso de avaliação. Sempre fazemos, e é saudável que façamos, juízo de valor. O que Jesus nos diz para não fazer é juízo de condenação, pois tal pertence a Deus. Julgar valores, doutrinas, é refletir de forma ética. Julgar para condenar é outra coisa.

Como temos observado o mundo? Com óculos bíblicos, ou óculos seculares? O secularismo nos leva ao Ecumenismo, que é uma forma "politicamente correta" de cassar o pensamento e opinião religiosa dos outros. Nossa identidade está em estabelecer diferença. Se somos diferentes enfatizemos nossa diferença religiosa, e não nos acovardemos pelas ameaças de leis medonhas, ou de constrangimentos sociais que prevalecem em nossa sociedade.