04/10/2010

A falsidade como estilo de vida.

Chama-se de moderno quem é falso. Como se falsidade fosse uma revolução, ou alguma novidade que já não assombrasse a humanidade ha milhares de anos. Os gregos buscavam poder pelo conhecimento falsificado, pagavam professores para ensina-los a manipular argumentativamente os outros para que seus conceitos políticos, mesmo que falsos, prevalecessem. Tais professores eram os sofistas, que ensinavam a manipulação de conceitos e palavras para conseguir poder político, pela oratória desonesta, justificando seus próprios interesses numa reunião pública, visto que tinham um governo democrático e precisavam do voto da maioria mesmo que manipulado e inconsciente para alcançar seus interesses.

Depois de um tempo surgiram figuras como Sócrates que articularam o problema da verdade, provavelmente por influencia da cultura judaica do Deus único e Verdadeiro, mas como isso não era interessante politicamente, foi condenado a beber um veneno chamado cicuta e morrer. A verdade ameaça a quem vive e se beneficia da falsidade. Por isso a verdade é tão perigosa.

Quem busca a falsidade não quer pagar o preço de ser quem é, quer apenas vantagens, quer prevalecer sobre o outro de qualquer forma tornando válida qualquer falsidade que diga para manipulação. A falsidade é tão grande em nossa época que alguns falsificam até sua própria identidade natural, modificando-se artificialmente para que, em sua falsidade, sintam-se confortáveis.

O cristianismo prega a verdade, e isto é uma ameaça para os falsos. Cristo é “o caminho, a Verdade e a Vida” esta é a pregação cristã. Os falsos não podem conviver com isso, portanto, atacam aos valores cristãos que pregam a Verdade como princípio fundamental.

Nosso grande problema político no Brasil é a falsidade. Queremos combater a falsidade nas urnas, mas muitos cristãos condenam seus pastores quando pregam a verdade do cristianismo que não agrada aos visitantes que trazem. Não existe cristianismo sem verdade, por isso é estranho que defendam a pregação sofista para produzir cristãos nominais e não para fazer com que as pessoas reflitam e mudem de vida.

Muitos cristãos investiram alto na falsidade. Shows gospel com todo tipo de artificio de marketing manipulador foram o foco da mídia evangélica por década, e infelizmente, ainda são. A falsidade formal, mesmo que não conceitual, espalhada pela “mídia de massa cristã” e pelas pretensas mega-igrejas, contribuiu muito para o império da falsidade mesmo entre os crentes.

Devemos votar corretamente? Sim. Mas como podemos votar corretamente se não há verdade aceita, se cada um faz o que deseja para se dar bem? Em tal situação só podemos votar o menos pior possível, mas reduzir o assunto ao voto é infidelidade a Deus, afinal, o que precisamos é valorizar a verdade, enfatizando, Pregar o Evangelho.

Deus não diz que “sararia a terra” se votassemos bem, ao contrário, 2 Cronicas 14, diz que isso ocorrerá quando o Povo de Deus “se humilhar, e orar, e buscar a minha face (de Deus), e se converter de seus maus caminhos” nossa terra será sarada, por amor dos servos de Deus, mesmo que a operação do mal esteja em percurso. O que acontece hoje: o Povo de Deus se exalta em shows, não quer orar particularmente mas ouvir ministrações de seus cantores preferidos, não quer buscar a face de Deus mas sim a face de seus ídolos gospel, e muito menos querem se arrepender desses maus caminhos pois acham que isso é muito bonito e bom, mesmo que seja apenas falso.

Precisamos voltar à verdade, pois nossa crise como sociedade é uma crise das instituições que deveriam pregar a verdade porém pregam a falsidade economicamente atrativa. Não adianta votar nos melhores candidatos que existem, se nossa pregação não valoriza, e até relativiza a verdade.

Precisamos pregar a verdade, precisamos valorizar a verdade, pois nossos valores foram construidos sobre o alicerce da verdade, pois a Palavra de Deus é esse alicerce. A família em si, não é alicerce da sociedade, mas a família fundada na verdade tem o forte alicerce que é Cristo.

Enquanto a igreja continuar preocupando-se com “crescimento de igreja” e em ser “comunidade terapeutica”, ou em fazer “marketing de igreja” seremos colaboradores da operação do erro, ou da falsidade diabólica. A igreja deve ser a principal instituição onde se prega e ensina a única Verdade Universal, Cristo, que embasa qualquer outra verdade secundária para que realmente possamos fazer diferença.

A igreja de Cristo sempre fez diferença pela pregação da Verdade do Evangelho e sempre se enrolou em problemas quando se meteu demais em política. Não defendo a alienação política, mas discordo da negligência para com a pregação da Verdade em Cristo, que tem sido substituida por exorcismos, palavras de autoajuda ou misticismos que se espalham pelas igrejas nos tempos atuais.

Se sua igreja não prega falsidades, glorifique a Deus e invista ainda mais em pregar a verdade para fazer diferença no mundo, para ser sal da terra. Precisamos ser pregadores da verdade e não ter vergonha da verdade do evangelho. Enquanto nos envergonharmos da verdade ou nos omitirmos de nossa obrigação somos coparticipantes de ações do anticristo.

As verdadeiras igrejas de Cristo pregam a verdade em Cristo Jesus e não se intimidam perante as falsificações deste mundo vil.