31/10/2010

Eleições e Aborto

Assistindo a comentários relativos à eleição presidencial de 2º turno uma coisa estranha me chamou a atenção.
Um comentarista da TV Bispal disse que a questão da privatização é relevante para discussão, até aí tudo bem, mas logo depois afirmou que a questão do aborto não é importante.
Apesar de considerar a questão do aborto coisa sem valor, fez um comentário pífio ressalvando a importância de um dos candidatos à presidência não votar em São Paulo.
Ora, votar em São Paulo é mais importante que a questão do aborto? Para quem? Claro que para os bispais isso é coerente, mas não para todos os cristãos.
Desprezar a questão do aborto é desprezar os cristãos de forma geral como força política atuante na sociedade. Será que pensam que só uma igreja faz a política no Brasil? Será que a opinião dos que são contra o aborto não tem valor? Repito: para quem a questão do aborto não tem valor?
Desvalorizar um tema de debate legítimo, como os pontos de vista em relação ao aborto, defendido por representantes legítimos da sociedade, é uma tática de retórica erística. Ao desmerecer aquele com quem não se concorda procura-se levar tais pessoas ao desprezo da audiencia do debate, no caso a própria sociedade, e isso não deve ser a postura de um veículo de comunicação.
Quero acreditar que o comentarista tenha agido assim por descuido profissional, e não por desprezo pela opinião daqueles que creem na Bíblia Sagrada como regra infalível de fé e prática e que não creem nas idéias excêntricas de milagreiros da mídia.