19/10/2010

Coisas Sacrificadas

Mas nem em todos há conhecimento; porque alguns até agora comem, no seu costume para com o ídolo, coisas sacrificadas ao ídolo; e a sua consciência, sendo fraca, fica contaminada. Ora a comida não nos faz agradáveis a Deus, porque, se comemos, nada temos de mais e, se não comemos, nada nos falta.
Mas vede que essa liberdade não seja de alguma maneira escândalo para os fracos. - 1 Coríntios 8.7-9

Hamburger BiteÉ comum no Brasil a crença em sacrifícios ou consagração de alimentos a outros deuses que não o Senhor. Na verdade não se pode fazer sacrifícios ao Senhor, pois estes só eram feitos no templo de Jerusalém, que está destruido, e mais que isso, Cristo fez o sacrifício perfeito por todos os homens substituindo-nos na cruz tornando inúteis qualquer sacrifício. É claro que os que não creem na Salvação e preferem as práticas mágicas, enfatizam o sacrificar. Existem até algumas falsas igrejas que manipulam o povo através da ideia de sacrifício financeiro. Mas, sobre o sacrifício de alimentos, a Bíblia nos deixa orientação sobre como devemos agir.

Paulo nos fala que os coríntios comiam alimentos sacrificados como era seu costume, ao mesmo tempo diz que esses sacrifícios são inúteis e até indiferentes espiritualmente. Mas há algo importante a ser considerado: a consciência de quem consome o alimento, seja ele sacrificado ou não. No caso dos alimentos sacrificados somos orientados a não consumi-los pela consciência dos fracos.
A consciência a que Paulo se refere não é somente um estado mental, mas também um motivador de atitudes práticas. Quando ignoramos o significado das coisas podemos fazer coisas que aparentemente são simples mas que têm grande valor para outras pessoas. Exemplificando, ouve um caso de um americano ser assassinado por um cantor oriental aparentemente sem motivo, mas sob maior esclarecimento descobriram que para a cultura daquele cantor mostrar a sola do sapato é grande ofensa, coisa que a vítima não sabia, sequer tinha consciência do impacto que isso teria sobre outros.

Ao comer sacrifícios estamos concordando com eles na prática, mesmo que não creiamos em seus efeitos. Se o único e suficiente sacrifício é o de Cristo na cruz, não deveríamos fazer nada que apontasse outro sacrifício como válido, mesmo que seja comer tal sacrifício.

Dessa situação podemos tirar também a ideia de que há coisas que não são sacrificadas especificamente a um ídolo, mas sacrificadas ao mundo e ao seu modo de viver como o consumo de bebidas alcóolicas. A famosa “cervejinha” tem sua imagem ligada o padrão mundano de vida, assim como outras bebidas, atrelado à pratica de escárnio, promiscuidade e outras ações não cristãs. Era comum a exposição de mulheres em propagandas eróticas para esse tipo de produto até haver proibição legal, assim como as antigas propagandas de cigarro mostravam verdadeiros heróis bem sucedidos dando suas tragadas mortais. Uso estes exemplos pois são coisas que viciam e estão atrelados à idéia batista de não consumo de coisas sacrificadas, o que poderíamos atrelar até aos fast foods da vida sem erro pois são um sacrifício ao mercado.

Para muitos não há problema em consumir bebidas ou fast foods, mas devemos lembrar que a nossa história de vida não é igual a de todos. Muitas pessoas tiveram problemas com alcool e cigarro, muitas crianças e adultos estão com problemas de saúde e obesas devido à comida nada saudável dos fast foods. Eu sou um desses gordos em recuperação, por isso entendo que a prática da boa alimentação é algo que influencia quem está perto de você e até mesmo é servido por você com um bom sanduíche, mesmo que as intenções sejam as melhores.
Daí entra a questão de consciência: não bebemos por amor àquele que tem problemas com alcolismo, não fumamos porque faz mal à saúde do corpo que é templo do Espírito Santo, a condição dos fastfood se encaixa na segunda consideração acima. Entendemos, portanto que deixar de consumir algo é um ato de coerência com nossa fé no sacrifício de Cristo, e também um ato de amor para aqueles que são mais fracos com uma coisa ou outra.

Alguns dizem que estou emagrecendo, outros não. Não sei quem está mentindo. Mas já abandonei os fastfoods, por amor a mim e ao próximo, e pela fé no sacrifício de Cristo. Você está disposto a abandonar coisas sacrificadas a ídolos religiosos ou ídolos do mercado por fé em Deus e amor ao próximo? Desejo que sim, pois é melhor para todos. Deus o abençoe.