20/08/2010

Passividade Cristã?


"E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas"

Estas palavras de Jesus são frequentemente interpretadas como se o cristão devesse sempre assumir atitude passiva diante do opressor. É um engano, pois não existe nada mais transformador e menos passivo do que a fé em Jesus Cristo.

Quando Nosso Senhor cita a obrigação de caminhar uma milha refere-se a direito que os romanos tinham sobre os povos conquistados, ou melhor escravizados. Um romano, no tempo do Novo Testamento, poderia exigir com respaldo de suas leis que um "não cidadão" carregasse suas coisas pela distância estipulada. Para um judeu isso era uma grande afronta, assim como seria para qualquer povo e havia grande comoção e rebelião quanto a leis desse tipo. Atualmente também vemos grupos minoritários querendo impor seus padrões e fardos aos outros através de manobras estranhas.

Voltando ao assunto da imposição romana e da revolta judaica, aplicando aos nossos dias, percebemos que Jesus não defendia a passividade, ao contrário, Ele ensina que devemos mostrar nossa dignidade como servos de Deus de forma pacífica e humilde porém que confronte o opressor com a verdade. Note que a lei permitia ao cidadão romano exigir o cumprimento de seu direito, com orgulho de sua situação superior sobre o resto das pessoas dominadas. Quando alguém, obrigado por lei a andar uma milha, se oferecesse para caminhar a segunda estaria atingindo o orgulho do romano tornando-se melhor do que ele, pois estaria lhe fazendo um favor. Ora, para um opressor, não há coisa pior do que receber um favor do oprimido. Andar a segunda milha era a maior demonstração de dignidade humana e espiritual que alguém poderia fazer. Jesus não pregou a resistência pacífica, mas sim a dignidade individual na doação ao outro por pior que ele seja. A doação deve ser digna e nunca indigna, mas na impossibilidade total de doar, por oposição ferrenha do recebedor, façamos pelo menos o necessário que permitam receber.

Vale ressaltar que os mesmos cristãos que caminhavam duas milhas, também pagaram com suas vidas em assassínios coletivos no Coliseu romano ou arenas similares. Na defesa da dignidade, nem sempre sairemos incólumes. O mundo caminha para a Grande apostasia (2Ts 2.3), aliás já estamos nela, pois o trono da iniquidade já se encontra alojado em várias organizações, algumas até chamadas de "igreja" (Mr 13.14). Porém guardemos no coração a certeza de que o Senhor Jesus é vitoriose desde já e que temos certeza de ele se levantará no último dia.

Outros links:
Um cristão anônimo e a última luta no coliseu