22/08/2010

O Tétris e Deus

Ninguém na antiga União Soviética poderia imaginar quanto valeria um jogo criado como brincadeira de um cientista russo: o Tetris. Num governo onde tudo pertencia ao governo, não necessariamente ao povo, o programador do jogo distribuiu sua criação através de disquetes para alguns amigos que logo difundiu-se por Moscou e posteriormente toda Rússia, chamando a atenção de negociantes na Inglaterra e Estados Unidos que, após várias manobras de negócios ganharam milhões estabelecendo a Nintendo em lugar de destaque entre os fabricantes de jogos e gerando um prejuízo grandioso à Atari, devido a visões de negócio diferentes. O programador russo recebeu uma pequeníssima parte do que teria direito somente após se mudar para os EUA saindo das restrições soviéticas apesar do início da Perestroika. O que isso tem haver com um site que fala da Bíblia? Nada? Não muito no que se refere ao comércio em si, mas é significante quanto à visão que temos do mundo conforme nossa cultura, ou etnocentrismo.

foto:wikimedia


Os russos não podiam prever o além, pois sua cultura limitadora do comércio capitalista criou uma realidade onde várias coisas do mundo dos negócios eram impossíveis e até consideradas inverossímeis pelas pessoas. Isso acontece em todas as culturas, temos a tendencia em ver o mundo com o “óculos cultural” que herdamos pela aprendizagem formal, informal, ou familiar. Assim como os russos comunistas não perceberam o potencial mercadológico do Tetris, por ignorar o mercado, a nossa sociedade capitalistas faz algo semelhante: não percebe o quanto Deus ama as pessoas e se importa com elas, simplesmente porque estamos construindo uma sociedade que ignora a Deus, ou pior, transforma a espiritualidade numa ideia comercial.

O que tem impedido que percebamos a ação de Deus em nossa vida? No areópago, Paulo pregou a gregos que preocupavam-se tanto em discutir ideias mas que não dedicaram sua atenção à busca do Deus verdadeiro, pois tentaram resolver esse problema com um simples monumento “ao Deus desconhecido”. Sob a palavra de Paulo muitos se converteram mas outros preferiram ignorar, pois não podiam ver o verdadeiro potencial e realidade da fé em Jesus ressurreto.

Sob a ótica de um mundo que ignora Deus, há quem confunda Ressurreição com ressuscitação, e até defenda a tese que Jesus não morreu mas que passou por processo médico de ressuscitação. Esta é uma forma de tentar ignorar Deus, de negar que Jesus morreu por nós e afastar o ser humano do Salvador. Tal ideia é semelhante à visão dos russos que no regime comunista, não podiam ver além, é interpretação etnocentrista do mundo, pois baseai-se em nossa cultura que é somente mais tecnológica do que outras, mas não superior nem inferior.

Crer que existe um Deus superior não é etnocentrismo pois não foi encontrada até hoje uma cultura onde não se manifeste algum tipo de religião e fé em Deus. O apóstolo Paulo em Romanos (1.18-32) nos mostra que Deus se manifestou aos homens de formas incontestáveis mas preferimos oferecer primazia em nosso coração a coisas criadas. Todas as culturas creem no Deus supremo mas preferem mantê-lo a distância criando espíritos mediadores, ou santos intercessores, pois a idolatria nos leva a crer que não podemos nos aproximar de Deus. Jesus nos dá a possibilidade de ter acesso direto ao trono de Deus através da fé Nele, que é o próprio Deus e que é o próprio mediador entre Si e a humanidade.

O que nossa cultura tem cultivado em nossa mente? Areligiãobandono da fé em Deus por valorização de valores culturais, locais ou mesmo “globais”, porém passageiros? Não ignoremos a Deus só porque nossa cultura é anticristã, pois quando nossa visão terrena for confrontada com o porvir, perceberemos o quanto perdemos por obedecer às regras de um regime e não à voz de Deus. Que Deus nos abençoe para percebê-lo e aceitá-lo em nossa vida para a Salvação, mesmo que nosso estudo ou cultura nos empurre em direção contrária.