06/06/2010

MIlitancia Coitadista

Há algum tempo várias classes profissionais protestavam contra a “medicalização da vida”. Tinham até alguma razão, mesmo que envoltas por interesses políticos de alguns, mas cairam em contradição quanto ao que defendiam, criaram o “coitadismo da vida”.

Ninguém precisa melhorar mais, todos são meros coitados, vítimas. Não é possível mais dirigir-se a ninguém em condição de coitadismo sem repreensões veladas, porém indignadas que sutilmente podemos ouvir.

Sou gordo, casado com uma cega, e talvez seja maluco pois estou escrevendo isso, mas não me sinto coitado, seja como indivíduo ou como família, pois sei que sentindo-me assim não poderei conviver ou vencer as dificuldades. Aliás, a palavra coitado, que usamos com frequencia, não tem um bom significado literal.

Ontem assisti ao filme Homem de Ferro onde o personagem Nick Fury, com um tapa olho, diz para o protagonista “estou de olho em você”. Ri, afinal para mim a cegueira é normal não há agressão para nós nessa referência, mas logo ouvi uma recriminação na poltrona de trás, outro dia brinquei com alguém igualmente gordo, e também ouvi uma recriminação de alguém que nos circundava.

Deve-se notar que a recriminação vem de quem nunca viveu a situação. Quem recrimina não vive com um cego, ou cega, durante décadas colaborando dia a dia para um equilíbrio de toda família; geralmente os recriminadores de uma forma natural de encarar a obesidade são magros também. Cria-se o coitadismo, uma forma de dizer que o outro precisa de você, mesmo que seja para manter a dependência emocional de se sentir protegido pela militância coitadista.

Alguns coitadistas dizem que cego é “portador de necessidade especial visual”, surdo é “portador de necessidade especial auditiva”. Muitos surdos e cegos não gostam dessa frescura pois reconhecem nisso uma discriminação velada.

Jesus não olhava para as pessoas como coitadas, embora tivesse compaixão delas, o principal para Jesus era enfatizar o que o indivíduo podia fazer por si mesmo através da fé em Cristo. No caso do paralítico que foi baixado a partir do telhado, Jesus viu sua fé e disse “Perdoados estão os teus pecados”, pois o mais importante que aquele homem fez foi vencer suas dificuldades com amigos que viviam com ele para chegar a Cristo pela fé. Mas havia coitadistas de plantão. Os fariseus reclamaram por Jesus perdoar seus pecados, pois certamente achavam que suas esmolas eram de mais utilidade para aquele coitado. Jesus conhecendo o coração dos fariseus mandou o paralítico levantar e andar para que soubessem que “O Filho do Homem” tem poder para perdoar pecados.

Convido você a fazer como Jesus nos ensinou: valorizar as pessoas enfatizando o que podem fazer por si mesmas e não o que não podem fazer, nem mesmo tentando alimentar sentimentos de inferioridade para que sintam o quanto os coitadistas são “bonzinhos” e “apoiam” seu sofrimento. Ninguém precisa de apoiadores de sofrimento, todos precisam de pessoas que valorizem ações realmente transformadoras. Jesus transforma vidas interiormente, pela ação individual de fé nele sem importar quanto somos carentes, pois ninguém é tão carente que não possa emocionar outras pessoas com conquistas simples mas grandiosas que os coitadistas podem tornar impossíveis nas vidas que caem em seus encantos sem graça.